Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Vinhos

Quinta da Jardinete: Os vinhos de família que são uma história de amor

Os vinhos dos Açores vêm do Pico, já se sabe. Produzidos em solos únicos, de origem vulcânica, e a necessitar de proteção oceânica, os socalcos do Pico são uma obra de resiliência humana que dão fabulosos frutos, cada vez mais apreciados e celebrados. Curiosamente, é possível descobrir bons néctares também em S. Miguel, resultado de experiências, influências do norte da Europa e muita dedicação à causa.

Laranjas, gatos e vinho
Os rótulos da Jardinete homenageiam os gatos da casa - tão celebrados que há inclusive uma estátua de um gato no jardim - que vão assistindo, indiferentes como só os gatos sabem ser, às várias vidas desta quinta situada em Fenais da Luz, um vértice do triângulo que liga Santa Bárbada, Ribeira Grande e Ponta Delgada.

Como em todos os terrenos dedicados à agricultura, durante séculos, até ao dia em que uma praga devastou os laranjais da ilha, no séc. XIX, a Quinta de Jardinete produzia única e exclusivamente laranjas. O negócio diversificou-se mas passava pelo vinho apenas no que dizia respeito a consumo interno: a casta americana Isabela, hoje proibida, dava origem ao conhecido “vinho de cheiro”.

Aqui sabe-se bem que a história se repete, e por isso mesmo a produção é hoje diversificada - também se produz tomate e bananas.

O apelo da terra
É que o vinho na Jardinete é ainda jovem. Passaram apenas 30 anos desde que um austríaco apaixonado por S. Miguel, adquiriu a propriedade e para aqui trouxe algumas castas do seu país, maravilhado com o clima da ilha.
Teve de substituir toda a americana Isabela, com a qual se fazia o tal “vinho de cheiro” por outras castas, testando as mais adaptáveis a este terroir.

Daí para a frente é uma história de amor: Mário Rebelo, atualmente viticultor e enólogo da Jardinete apaixona-se pela filha do austríaco, que por sua vez se apaixona por S. Miguel. Juntos aqui constroem a vida, em forma de família, que já vai em três filhos, cada um detentor de uma vinha com o seu nome que, na altura certa, produz o próprio vinho. É que a paixão também tem de ser alimentada e passada para as próximas gerações.

O amor pela terra, pelo que ela pode dar se a trabalharmos com expectativa, é o que move esta ‘causa’.
É que os vinhos da Jardinete constituem uma pequena produção. As vinhas ocupam cerca de 5 hectares numa produção que se esgota em consumo interno. A plantação começou há 25 anos com 600 litros de vinho. Atualmente são 10 mil.

A primeira adega da ilha a comercializar vinho de qualidade - hoje há mais dois produtores, noutras zonas da ilha, a trazerem os seus vinhos às prateleiras - é o único que tem portas abertas ao público.

A visita à Quinta de Jardinete (Rua dos Montes Nossa Senhora do Carmo 19-23, Fenais da Luz, Ponta Delgada. Tel. 968 617 382) é gratuita e permite conhecer a quinta e suas vinhas além de trocar dois bons dedos de conversa com o micaelense Mário Rebelo; custa €10 para pequenos grupos (a partir de dez pessoas) que queiram, sob reserva prévia, entre as 17h00 e as 19h00, provar dois vinhos com algumas tapas elaboradas com produtos da quinta, como tomate e pepino e queijos da ilha.

Quanto aos vinhos são, para já, uma feliz conjugação entre castas estrangeiras e locais: as variedades Merlot-Aragonês, Sauvignon blanc - Fernão Pires, os monocasta Chardonnay ou Merlot dão origem a vinhos surpreendente, dotados de grande mineralidade própria dos néctares nascidos nestes solos vulcânicos.

Como tudo em S. Miguel a Quinta da Jardinete é um local feito de simplicidade e autenticidade onde os bons ares da ilha recebem de braços abertos.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook e no Instagram!