O que se bebe continua igual. Diferente, só mesmo a garrafa, o rótulo e a fita. E vem acompanhado de uns deliciosos bombons, recheados com este que é um dos mais famosos licores de Portugal.
Da próxima vez que passar por uma garrafa de Licor Beirão, muito provavelmente, não a vai reconhecer. A famosa garrafa, que guarda lá dentro o tradicional licor fabricado na Lousã, no centro de Portugal e companheira habitual de muitos serões, mudou de aspeto, apresentando-se agora com mais atrativa, revivalista, acompanhando tendências atuais, ao mesmo tempo que pisca o olho a uma cada vez maior internacionalização.
Para isso vestiu-se de uma forma mais sóbria, com curvas mais pronunciadas, e de cara renovada, graças ao novo rótulo, feito em papel mais tradicional, recuperando também uma fita de tons claros em tecido à volta do gargalo, que lhe dão um ar mais elegante. Quanto ao interior, ou seja, o sabor, continua na mesma, seguindo o tradicional processo de fabrico, iniciado em 1029.
Mas a história deste licor começou muito antes, ainda no século XIX e numa farmácia, local onde, ainda sem o apelido Beirão, se fabricava esta apreciada bebida. O que leva lá dentro é segredo de família, fortemente guardado a sete chaves na Quinta do Meiral, na Lousã, na fábrica onde filho e netos do fundador fazem perdurar no tempo o mágico sabor e aroma deste licor. Muitas das plantas e sementes aromáticas utilizadas para produzir este licor são ali criadas, garantindo á família um maior controlo de qualidade. Aliás, o compromisso com a tradição é levado tão a sério que em cada uma das garrafas se pode ler “Eu, José Redondo, responsável pela produção do Licor Beirão, certifico que este precioso líquido foi obtido por um processo de maceração e dupla destilação de plantas aromáticas e especiarias, cumprindo a receita que me foi passada pela minha mãe.”
A origem do nome
Nada do que faz a história do Licor Beirão foi por acaso. Pelo menos, no que respeito diz à fabricação da bebida e que está nas mãos desta família da Lousã. Já o nome, esse surgiu em 1929, ano que marca a estreia oficial desta denominação, devido ao Congresso Beirão que se realizou em Castelo Branco, tendo o nome surgido como uma homenagem ao encontro.
A partir da segunda grande Guerra Mundial as dificuldades trazidas pelo conflito bélico colocam a pequena fábrica de licores à venda, em 1940, acabando um jovem da Lousã, José Carranca Redondo por a adquirir. Tinha na altura pouco mais de vinte anos e entretanto casado, decide face à oportunidade, investir as poupanças amealhadas na casa e no segredo da bebida. Assumiu a tarefa como profissão, contando com a ajuda da mulher, Maria José, para a fabricar. O resto é história. As vendas não pararam de crescer, tornando-se assim o Licor Beirão numa marca de referência nacional e, espera-se internacional, uma vez que as vendas para fora de Portugal tiveram, em 2013, um aumento de 24 por cento.
Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook!
*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.























