Estado de Emergência

Adrian Bridge: "É fundamental criar uma estratégia de promoção para apoiar a retoma do turismo"

Estado de Emergência é um ciclo de entrevistas rápidas a personalidades das áreas de turismo, hotelaria, restauração e animação em Portugal, sobre o presente e o futuro do sector, tendo em conta todas as alterações geradas pela pandemia de Covid-19

Estado de Emergência é um ciclo de entrevistas rápidas a personalidades das áreas de turismo, hotelaria, restauração e animação em Portugal, sobre o presente e o futuro do sector, tendo em conta todas as alterações geradas pela pandemia de Covid-19. Hoje, Adrian Bridge, CEO do Grupo The Fladgate Partnership, que detém, entre outros, a Taylor’s e os hotéis The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, Infante Sagres, no Porto, ou Vintage House, no Pinhão, sublinha a necessidade de "criar uma estratégia de promoção que apoie a retoma do turismo e volte a colocar Portugal na rota dos destinos mais procurados a nível mundial", a par da importância de "comunicar uma mensagem de segurança e de valorização do que é nosso". Com confiança no futuro, acredita no "poder de criar soluções e novos programas que permitam a realização das férias em segurança e com tranquilidade".

Estamos em Estado de Emergência, que se vai prolongar até, pelo menos, à Páscoa. O que representa para si e para os seus negócios ficar encerrado até essa data?
Adrian Bridge:
Desde o início da pandemia, temos vindo a monitorizar muito de perto a sua evolução e as medidas de prevenção adotadas pelos vários países. E por isso estávamos prevenidos para essa possibilidade e estamos agora focados em preparar as reaberturas. Queremos posicionar-nos na linha da frente da retoma do turismo, apresentando programas e experiências que vão ao encontro das expectativas e necessidades dos turistas, nacionais e internacionais, que voltarão, ainda que de forma faseada, a procurar o nosso país e nomeadamente a cidade do Porto, onde temos a maioria dos nossos negócios de turismo. Queremos estar bem preparados para promover o nosso destino da melhor forma possível.

Como tem conseguido encarar estes estados de emergência sucessivos? Recorreu aos apoios do Estado?
Temos encarado estas pausas como uma oportunidade para pequenas renovações nas nossas unidades e para nos adaptarmos, de forma exigente, às novas regras e à nova realidade. À semelhança de muitas empresas, recorremos ao lay-off simplificado, nas unidades que foram obrigadas a encerrar, para manter postos de trabalho, o que sempre foi prioritário para nós. Mantivemos as nossas unidades abertas (à exceção do Vintage House, no Pinhão), embora com estruturas muito reduzidas, como a baixa taxa de ocupação assim o obriga.

Do seu ponto de vista, que medidas deveriam ser tomadas de imediato?
Neste momento, a prioridade é a questão sanitária e estamos solidários com as entidades oficiais na importância das medidas de confinamento, com vista a um controlo da situação que nos permita reabrir em segurança e não voltar a fechar. Depois, será fundamental criar uma estratégia de promoção que apoie a retoma do turismo e volte a colocar Portugal, nomeadamente o Porto e o Douro, que são as regiões que mais nos dizem respeito, na rota dos destinos mais procurados a nível mundial.
Acreditamos também que a abertura do espaço aéreo, ou pelo menos a possibilidade de existirem ligações aéreas com as principais cidades europeias, será necessária para a recuperação do turismo. Temos, como exemplo, o Reino Unido, que é um dos principais emissores de turistas no nosso país. Temos de comunicar uma mensagem de segurança e de valorização do que é nosso. Nós, enquanto operador de turismo, estaremos focados em contribuir para a promoção do destino, como sempre fizemos desde a abertura do primeiro hotel, o The Yeatman, em 2010. É importante que as entidades e os operadores se unam nessa missão. Poderão, paralelamente, existir outras medidas, como apoios financeiros a fundo perdido, a redução do IVA, entre outras.

Existem lições a retirar para o setor do turismo, nomeadamente a restauração e hotelaria?
Ninguém estava, obviamente, preparado para uma pandemia, embora muitos negócios de hotelaria e de restauração tenham, por natureza, uma grande resiliência e capacidade de adaptação. Para além disso, já têm procedimentos muito reforçados ao nível de HACCP, o que, no fundo, permite lidar melhor com esta situação. No nosso caso, quando gerimos um hotel de 5 Estrelas, a exigência com as regras de segurança e higiene são sempre muito elevadas. No entanto, tivemos que ajustar a operação e as equipas a novos procedimentos que visam a prevenção específica da Covid-19, que se estendem a todas as vertentes do hotel. A capacidade de adaptação e inovação/criatividade, são, sem dúvida, as maiores lições a retirar. Temos uma equipa totalmente dedicada a adaptar a nossa operação, de forma a encontrarmos soluções para continuarmos a proporcionar experiências únicas e dar a conhecer – e a provar – o melhor que Portugal tem para oferecer. Acreditamos que temos o poder de criar soluções e novos programas que permitam a realização das férias em segurança e com tranquilidade.

Como perspetiva o ano de 2021? Ainda existe espaço para a esperança?
Perspetivamos que 2021 seja um ano de grandes desafios e de alguma imprevisibilidade, dado que continuamos com pouco conhecimento face à vacinação e à possibilidade de existirem mais mutações do vírus. Temos, no entanto, muita esperança que a situação melhore e estamos a fazer de tudo para estar preparados para a retoma económica, até porque acreditamos firmemente que esta irá acontecer.

Pode ler AQUI todas as entrevistas do ciclo Estado de Emergência e Segunda Vaga.

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