Covid-19

Reabertura dos restaurantes: as regras, as garantias e as lamentações

Reabertura dos restaurantes
Rui Duarte Silva

A partir desta segunda-feira, dia 19 de abril, os restaurantes recomeçam a receber clientes nos espaços interiores. A terceira fase do desconfinamento aumenta a pressão sobre os empresários, que garantem estar prontos a cumprir todas as regras, mas alertam que todos têm de ser responsáveis.

Com algumas exceções territoriais, a terceira fase de desconfinamento arranca esta segunda-feira, dia 19 de abril. No caso dos restaurantes, cafés e pastelarias a grande e desejada novidade é a abertura dos espaços interiores, com o máximo de quatro pessoas por mesa, e o alargamento da lotação, para seis clientes por mesa, nas esplanadas, que tinham reaberto no passado dia 5 de abril. O horário de funcionamento, quer seja no exterior ou interior dos estabelecimentos, mantém-se o que vigorava até aqui: até às 22h30 nos dias de semana e até às 13h00 nos fins de semana e feriados. A correr bem, apenas a partir de 3 maio, restaurantes, cafés e pastelarias vão poder funcionar sem limite de horários e com lotação mais alargada.

Tendo em conta os relatos de abusos na sequência da reabertura das esplanadas, Governo, autoridades de saúde e associações de empresários da restauração renovam os apelos ao cumprimento das regras. Promete-se, ao mesmo tempo, uma fiscalização redobrada.

A AHRESP considera a nova fase de desconfinamento “um sinal de alento e esperança” e apela ao cumprimento de todas as regras de caráter sanitário nos estabelecimentos e no comportamento individual. “Os nossos clientes têm razões para confiar nos estabelecimentos de Restauração e Similares e Alojamento Turístico e regressar em total segurança”, conclui a associação, recordando que, nos últimos dias, em todo o país, foi realizada “uma campanha com o objetivo de esclarecer os empresários sobre as dúvidas que surgiram com a publicação das medidas de desconfinamento”.

Com a garantia de que os espaços interiores de restauração “são seguros, pois dispõem de regras extraordinariamente mais apertadas por comparação com as esplanadas e que os clientes se comportam de modo ainda mais, cuidado e responsável”, a Pro.Var lamenta o facto do Governo não seguido a recomendação de alargamento de horários, já a partir desta segunda-feira, com a implementação de dois turnos (das 12h00 às 15h30 e das 19h00 Às 22h30), justificada com “a necessidade de assegurar viabilidade económica das empresas pois a maioria da faturação é normalmente feita ao fim de semana”, ao mesmo tempo que se evitam concentrações de clientes que acabam por provocar “inúmeros incumprimentos involuntários por incapacidade de garantir resposta do serviço”.

Lamentações à parte, a partir de dia 19 de abril, existem regras a cumprir, tanto pelos restaurantes, incluindo os localizados em unidades de alojamento e centros comerciais, como pelos clientes:

  • Sempre que possível e aplicável, promover e incentivar o agendamento prévio para reserva de lugares por parte dos clientes;
  • No interior, máximo de quatro pessoas por mesa (exceto agregado familiar que coabite);
  • Na esplanada, máximo de seis pessoas por mesa (exceto agregado familiar que coabite);
  • Os coabitantes podem sentar-se frente a frente ou lado a lado a uma distância inferior a 2 metros;
  • É obrigatório o uso correto da máscara durante o acesso, circulação ou permanência no estabelecimento (mesmo quando se conversa) com exceção dos períodos de consumo;

Estabelecimentos:

  • Sempre que possível, a disposição das cadeiras e mesas têm de garantir uma distância de, pelo menos, 2 metros entre as pessoas e, no corredor entre mesas, uma distância de, pelo menos, 2 metros;
  • Os lugares em pé, pela dificuldade de garantir a distância entre pessoas, estão desaconselhados;
  • A circulação de pessoas para as instalações sanitárias deve ocorrer em circuitos onde seja possível manter a distância adequada entre as pessoas que circulam e as que estão sentadas nas mesas;
  • Os colaboradores, sempre que possível, devem manter uma distância de 2 metros dos clientes e dos outros colaboradores

Requisitos específicos para self-service e buffet

Segundo as regras da Direção-Geral da Saúde, as operações do tipo self-service, nomeadamente buffets e dispensadores de alimentos devem respeitar as seguintes condições:

  • Estão desaconselhados quando impliquem contacto por parte do cliente;
  • Assegurar a manutenção da distância física de 2 metros entre pessoas durante o tempo de permanência nas filas de espera e filas de self;
  • A oferta poderá continuar a ser disponibilizada na linha de self, mas em recipiente individualizado;
  • Os alimentos passam a ser servidos diretamente por um colaborador;
  • Os alimentos devem estar disponíveis em equipamentos protegidos;
  • As sobremesas, sandes e saladas, mesmo que embaladas, devem ser servidas diretamente por um colaborador;
  • Os talheres e os guardanapos devem ser ensacados ou ser disponibilizados em equipamento que permitam a retirada individual
  • Os copos devem estar virados para baixo e em tabuleiros que permitam a sua retirada individual;
  • As máquinas de café, as máquinas de refrigerantes e outras, em especial as peças mais em contacto com as mãos dos clientes, devem ser limpas e desinfetadas com maior frequência pelo menos após cada serviço

Serviço de rodízio à mesa

  • Deve ser feito um esforço para não haver contacto entre os utensílios dos colaboradores e dos clientes (por exemplo: não colocar o espeto no prato do cliente);
  • Os espetos manipulados pelo cliente deverão ser higienizados entre cada utilização.
  • Se forem servidos por um colaborador, aconselha-se a que não seja feito diretamente para o prato do cliente de forma a garantir o distanciamento recomendado (pelo menos 2 metros). O colaborador pode, por exemplo, colocar a carne cortada para um prato que esteja no topo da mesa.

Conheça no site da AHRESP o novo Guia de Boas Práticas para o funcionamento da Restauração e Bebidas

Reabertura dos restaurantes
José Fernandes

Recorde-se que, no âmbito do plano de desconfinamento, estas regras não se aplicam a 10 concelhos que não preenchem os requisitos de segurança para avançar. As exceções são aplicadas aos concelhos em que o risco de transmissão é considerado elevado, e são aplicadas em dois níveis:

- Num primeiro nível – em que se enquadram os concelhos de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior -, é imposto um recuo nas medidas em vigor, voltando a proceder-se ao encerramento das esplanadas e do comércio ao postigo.

- Num segundo nível – onde se encontram os concelhos de Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela -, a situação mantém-se igual. Ou seja, funcionamento de esplanadas com limitação máxima de quatro pessoas por mesa, e horário de funcionamento até às 22h30 nos dias de semana e até às 13h00 aos fins de semana.

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