Covid-19

Metade das empresas de Restauração e Alojamento com quebras de 90% na faturação em março

António Pedro Ferreira

É o que diz um inquérito realizado pela AHRESP que indicam ainda uma forte quebra nas receitas e um sufoco na tesouraria das empresas. A Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal alerta para a necessidade do reforço das medidas de apoio financeiro.

No mês em que se assinalou um ano de pandemia COVID-19 em Portugal, as empresas da restauração e similares e do alojamento turístico atravessam o período mais difícil de sempre. O inquérito mensal, realizado pela AHRESP - Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal, relativo a março, revela que 49% das empresas de Restauração e 49% das empresas de Alojamento registaram quebras de faturação acima de 90%.

Também a PRO.VAR - Promover e Inovar a Restauração Nacional dá conta de resultados preocupantes, num inquérito a empresas do sector realizado entre os dias 2 e 9 de abril, com respostas válidas de 549 estabelecimentos de restauração. A associação liderada por Daniel Serra diz estar uma “catástrofe em curso", com "dois em cada três estabelecimentos de restauração não conseguiram pagar metade das despesas". E deixa um alerta especial para “uma situação de extrema gravidade” identificada nos centros comerciais onde, dois em cada três (66,4%), dos estabelecimentos ponderam apresentar pedidos de insolvência.

Na Restauração e Similares as conclusões do inquérito da AHRESP, que contou com 943 respostas válidas, indicam que 52% das empresas estão com a atividade totalmente encerrada, 29% das empresas ponderam avançar para insolvência, uma vez que as receitas realizadas e previstas não vão permitir suportar os encargos que decorrem do normal funcionamento da atividade e que, para as empresas inquiridas, a quebra de faturação do mês de março foi avassaladora, com 49% das empresas a registarem perdas acima dos 90%.

Rui Duarte Silva

Como consequência da forte redução de faturação, conclui o inquérito da AHRESP, 14% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em março e 14% só o fez parcialmente. Chegou-se também à conclusão que 43% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia e que destas, 16% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo. Números trágicos do inquérito dão conta de que 8% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de junho.

Hotel Villa Aljustrel

Quanto ao sector do Alojamento Turístico, 29% das empresas indicam estar com a atividade suspensa e em março, 49% não registou qualquer ocupação, e 28% indicou uma ocupação até 10%. Para o mês de abril, 38% das empresas estimam uma taxa de ocupação zero, e 28% das empresas perspetivam uma ocupação máxima de 10%. Quanto a insolvências, 17% das empresas ponderam avançar para essa hipótese, por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade.

No que à faturação diz respeito, as conclusões do inquérito da AHRESP dão conta de que a quebra de faturação do mês de março foi devastadora, uma vez que 49% das empresas registaram perdas acima dos 90%, sendo que, como consequência da forte redução de faturação, 27% das empresas não conseguiram efetuar pagamento de salários em março e 6% só o fez parcialmente. 28% das empresas do sector do Alojamento Turístico já fizeram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 38% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho e 6% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de junho.

A AHRESP considera ser, face aos resultados do inquérito, absolutamente necessário robustecer os apoios às empresas, e disponibilizar incentivos ao consumo, nomeadamente através de medidas de apoio à liquidez, reforço dos apoios a fundo perdido para a tesouraria das empresas, reforço da dotação do programa APOIAR RENDAS, prorrogação das moratórias bancárias e planos de amortização a longo prazo.

É ainda necessário, diz a Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal a aplicação temporária da taxa reduzida de IVA nos serviços de alimentação e bebidas, disponibilização de apoios para empresas recentes, apoios para empresas com quebras de faturação iguais ou superiores a 15%, medidas de apoio à capitalização, apoio ao Emprego, e, entre outras, a continuidade do Lay Off Simplificado até ao final do ano 2021.

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