Covid-19

“2020 foi um péssimo ano. Mas 2021 não será melhor”: o alerta da Associação da Hotelaria de Portugal, que pede apoios urgentes ao Governo

Divulgação

Em reação aos resultados divulgados pelo INE relativamente à atividade turística nacional, os hoteleiros pedem apoios urgentes ao Governo e avisam que sem estas empresas “não haverá retoma do Turismo”

“2020 foi um péssimo ano, recuámos a valores de dormidas de não residentes de 1984! Mas 2021 não será melhor. A situação da hotelaria é muito grave e os apoios insuficientes, é importante que se perceba isso.” O desabafo é de Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) que pede ajuda urgente ao Governo: “Se não existirem apoios urgentes, não será ‘apenas’ o setor hoteleiro, empresas, trabalhadores e famílias que sofrerão, mas toda a economia.” Em comunicado, a associação avalia os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre atividade turística nacional para concluir que a “hotelaria vive crise sem precedentes”.

Neste contexto, a AHP explica ter já solicitado ao Governo a criação de uma linha específica de apoio para a hotelaria e medidas financeiras e fiscais exclusivamente dirigidas às empresas hoteleiras e a isenção da TSU. Os hoteleiros aguardam, também, a prorrogação urgente das moratórias dos reembolsos de capital e juros das linhas de financiamento “COVID-19” e dos demais créditos bancários. “Sem as empresas hoteleiras não haverá retoma do Turismo”, alerta a associação, recordando que este sector pode voltar a ser o motor da retoma da economia portuguesa.

Raul Martins
Tiago Miranda

Recorde-se que os resultados divulgados ontem pelo INE mostram que a Hotelaria e os Hostels se destacaram dos demais tipos de alojamento pelas ainda mais brutais quebras, com reduções de 64,5%, e 66,4%, respetivamente, muito superiores às registadas pelo alojamento local e pelo turismo no espaço rural e de habitação.

Igualmente grave, refere a associação de hoteleiros, é o impacto que ocorre nos diversos destinos, com as maiores quebras a registarem-se nos destinos urbanos, a par do especial impacto registado no principal destino religioso: Fátima. Mais uma vez os números do INE revelam que Lisboa teve uma quebra de 76%; o Porto de 72% e Fátima ainda sofreu uma maior hecatombe, com uma redução de 78% nas dormidas, que se deveu principalmente ao colapso das dormidas de não residentes: menos 88%.

“As empresas hoteleiras estão há um ano com quebras enormes, e neste momento não conseguem honrar os seus compromissos com os ordenados, os fornecedores e os impostos. Não nos podemos esquecer que as empresas hoteleiras empregam cerca de 90 mil profissionais, o que corresponde a 30% de todos os profissionais do setor do alojamento e restauração. É uma grande fatia que não pode ser descurada”, conclui Raul Martins.

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