Covid-19

Covid-19 obriga quase metade dos restaurantes a despedir trabalhadores revela inquérito ao sector

Contínuos despedimentos e empresas no limite da sobrevivência. Inquérito realizado em janeiro junto de empresas de restauração e alojamento revelam “a continuidade de um cenário dramático”

A AHRESP - Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal - pede o reforço urgente dos apoios a fundo perdido para a Restauração e Alojamento. O apelo surge na sequência da situação de “extrema fragilidade” que a pandemia de Covid-19 tem vindo a provocar ao longo dos últimos 11 meses nas atividades da restauração, similares e do alojamento turístico e que está a deixar “milhares de empresas e muitos milhares de postos de trabalho sem qualquer viabilidade”, sublinha a associação.

Os dados do inquérito de janeiro não deixam margem para dúvidas: Na restauração e similares, mais de metade das empresas estão com a atividade totalmente encerrada e 36% ponderam mesmo avançar para insolvência face à quebra - acima de 60% - na faturação do primeiro mês do ano.

Neste contexto, quase metade das empresas - 44% - já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 19% reduziram em mais de metade os postos de trabalho. O mesmo número de empresas assume que não vai ser capaz de manter todos os postos de trabalho até ao final do primeiro trimestre de 2021, revelam os dados apresentados pela AHRESP em comunicado. Na hotelaria, 28% das empresas já despediu desde o início da pandemia. Destas, 34% por cento reduziram em mais de metade dos postos de trabalho.

No setor da hotelaria o cenário está também longe de ser animador, com quebras de faturação na ordem de 90% em mais de metade das empresas inquiridas. Um terço dos hotéis tem a atividade suspensa e, dos alojamentos que decidiram manter as portas abertas em janeiro, 42% não registou qualquer ocupação, e 32% indicou uma ocupação até 10 por cento.

Num futuro próximo, é difícil ver uma "luz ao fundo do túnel": Para fevereiro, mês dos namorados e do Carnaval, 65% das empresas estimam uma taxa de ocupação zero, e 19% perspetivam uma ocupação máxima de 10 por cento. Já para o período da Páscoa, apenas 12% das empresas indicaram ter reservas. Perante este cenário, 16% das empresas ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da atividade.

Rui Duarte Silva

Dificuldades no acesso a programas de apoio
A AHRESP alerta para a “insuficiência dos apoios até aqui disponibilizados e a necessidade urgente do seu reforço”, sublinhando que “as mais de 95% de micro e pequenas empresas da restauração e alojamento não têm capacidade para aceder à complexidade destes apoios”. No que respeita aos apoios à manutenção dos postos de trabalho, no setor da restauração, 25% das empresas não apresentaram candidatura ao lay off simplificado, 14% para poderem manter a possibilidade de efetuarem despedimentos;

Quanto aos novos programas de apoio a fundo perdido, muitas empresas vão ficar de fora: 38% não apresentaram candidatura ao Apoiar.PT, das quais 67% não cumprem com os requisitos de acesso;
Sobre o Apoiar + Simples, apenas 20% apresentou candidatura à data de preenchimento do inquérito, e 36% indicaram estar excluídos deste apoio, ou por quebras inferiores a 25% ou por não terem trabalhadores a cargo.

Quanto ao recentemente disponibilizado Apoiar Rendas, 35% das empresas revelam-se excluídas, quer por registarem quebras inferiores a 25%, quer por terem capitais próprios negativos.

No ramo da hotelaria, 29% das empresas não foram elegíveis para apresentar candidatura ao Apoio à Retoma Progressiva; metade não apresentou candidatura ao Apoiar.PT. Entre estas estão 34% que não cumprem com os requisitos de acesso.

Em relação ao Apoiar + Simples, apenas 10 por cento apresentaram, até final de janeiro, candidatura. 38 por cento estão à partida excluídos deste apoio, mais de metade dos quais por não terem trabalhadores a cargo.

No que concerne ao Apoiar Rendas, 21 por cento das empresas revelam-se excluídas pelas mesmas razões: o contrato não ser enquadrado como arrendamento para fins não habitacionais e quebras inferiores a 25 por cento.

Perante esta situação, a AHRESP apresentou ao Governo a proposta de criação de um Mecanismo Único de Apoio às Empresas, que permita um acesso ágil, simplificado e concentrado, através de uma única candidatura, aos apoios disponíveis.

Os resultados do inquérito da AHRESP do mês de janeiro, que contaram com 1.042 respostas válidas.

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