Boa Vida

Roteiro por Estremoz, o novo centro cultural do Alentejo

Howards Folly

Um boutique hotel premiado para ver e sentir a fusão arrebatadora entre natureza e arquitetura; uma adega, restaurante e bar que funde arte e vinhos e um novo museu fazem parte de uma Estremoz renovada que desponta no Alentejo.

Dora Troncão

Jornalista

Basta abrir as portas de acesso aos terraços dos quartos Sky Cube e Moon Cube para ver e sentir a fusão arrebatadora entre natureza e arquitetura deste boutique hotel, que responde pelo nome, simples, mas convidativo, de Dá Licença. É o resultado do sonho de Franck Laigneau e Vítor Borges que acompanharam a obra a cada dia quente que passava e estudaram o sol, o vento e a iluminação, para escolher com precisão a colocação de cada objeto de arte, criando ambientes com ligação à região. De forma natural, o mármore está sempre presente: nos lavatórios esculpidos manualmente, nas mesas de apoio, desenhadas pelos proprietários, nas magníficas banheiras que também ganharam forma no local. Para quem desejar um banho suplementar de cultura, o antigo lagar da propriedade foi reconstruído e convertido em galeria de arte privada para os hóspedes, focando os estilos preferidos de Franck Laigneau, o Jugendstil, mas também o Antroposófico, corrente de arte dos anos 20 que influenciou a agricultura e motivou a biodinâmica. Daí o mobiliário como camas e guarda-fatos, com geometrias contrastantes, entre curvas e ângulos afiados, além de relevos ligados à natureza. Abordagens que deram ao hotel Dá Licença (Outeiro das Freiras, Santo Estêvão, Estremoz. Tel. 962950540), uma Chave de Prata, na edição 2020 do guia Boa Cama Boa Mesa.

Quem também se apaixonou pelo Alentejo foi Howard Bilton, consultor na área financeira do Sovereign Group e criador da fundação para as artes com o mesmo nome. Primeiro foram os vinhos que o conquistaram, depois, edifício do antigo Grémio de Estremoz, onde nasceu uma adega urbana, hoje visitável. Em 2020 nasceu o The Folly, um projeto de design do Arkstudio, e mais tarde o Howard’s Folly (Rua General Norton de Matos, Estremoz. Tel. 268332172), um misto de bar com restaurante, com uma garrafeira estrategicamente iluminada. Observe as esculturas da Pigs Parade de 2019 (Ano do Porco) que viajaram até ao Alentejo para pontuar o espaço com reproduções ao jeito pop art.

Rodrigo Simões Cardoso

A escassos três minutos a pé, fica o Museu Berardo Estremoz (Palácio Tocha, Largo Dragões de Olivença, 100, Estremoz. Tel. 268080281), uma parceria entre a Coleção Berardo e a Câmara Municipal, onde encontra aquela que é considerada a maior e mais importante coleção privada de azulejos de Portugal. Pelas salas e salões do Palácio Tocha, contam-se as estórias e a História dos últimos oito séculos da azulejaria, através da exposição inaugural, chamada “800 Anos de História do Azulejo”. Na Exposição Temporária destaca-se a “Cidade Branca” e elogia-se o mármore da região.

Passe depois pelo ex-líbris da cidade de Estremoz, o mercado tradicional que acontece todos os sábados de manhã, no Rossio Marquês de Pombal, com frutas, legumes, queijos, enchidos e animais, misturados com a Feira de Antiguidades e Velharias, permitindo uma oportunidade de viajar no tempo, através dos objetos e artigos expostos nas bancas improvisadas ou no chão.

Termine com as obras de arte gastronómicas de Michelle Marques, a chef do Gadanha – Mercearia & Restaurante (Largo Dragões de Olivença, 82, Estremoz. Tel. 268333262), que nasceu no Brasil, mas adotou Estremoz como casa e é uma das responsáveis por esta nova dinâmica da cidade. Prove pratos como o mil-folhas de bacalhau, os croquetes de borrego, a terrina de pezinhos de coentrada ou a farinheira com ovinhos e esparregado. A garrafeira tem vinhos de Estremoz, com referências das 20 adegas da região.

Este artigo foi publicado originalmente no Expresso de dia 4 de junho de 2021

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