Boa Vida

Há um mar de cultura para viver este verão em Cascais

Casa das Histórias Paula Rego
Luis Ferreira Alves/ Turismo de Cascais

Museus dedicados a artistas de renome mundial e casas de personalidades inusitadas, parques com exemplares botânicos únicos, pintura, música e objetos curiosos são apenas um aperitivo para um mar cultura em Cascais, ao longo deste verão

Dora Troncão

Jornalista

Membros da realeza, escritores, pintores e outros ilustres da cultura deixaram, ao longo dos séculos, um legado até hoje preservado em Cascais. Henrique Sommer, o rei D. Carlos, os Condes Castro Guimarães ou a pintora Paula Rego são apenas alguns dos nomes. A pluralidade domina a cena cultural cascalense, a começar pelo Bairro dos Museus, passando pela música alternativa, que se ouve na Sociedade Musical União Paredense, até à programação para todos os públicos do Casino Estoril.

Bairro dos Museus, para mentes inquietas
É mais do que um triângulo dourado da cultura, projeto pioneiro a nível nacional envolve toda uma zona geográfica repleta de equipamentos culturais, com sinergias e que podem ser visitados em programas conjuntos, disponibilizando bilhética conjunta a preços especiais (um dia €13 ou três dias por €19). O Bairro dos Museus, em Cascais, apesar do nome não inclui apenas programas em museus, sendo os museus de Cascais como o Farol Museu de Santa Marta, o Museu Conde Castro Guimarães, Museu do Mar - Rei D. Carlos ou o Museu da Música Portuguesa imperdíveis. Inclui quase 20 opções, entre as quais também os Parques Marechal Carmona e Palmela as magníficas fortificações como a de S. Jorge de Oitavos, ou ainda os chalets históricos de Cascais, em que é clara a diversidade possível nas combinações propostas pelo projeto

Verão no Parque com bandas filarmónicas
Com a covid-19, as iniciativas ao ar livre ganham terreno e, neste verão, os parques de Cascais enchem-se de música com as bandas filarmónicas do concelho a dar um ar da sua graça para animar os meses de agosto e setembro. No Parque Marechal Carmona, no dia 8 agosto ouve-se a Banda da Sociedade Familiar e Recreativa da Malveira da Serra e, no dia 19 de setembro, no Parque Quinta da Alagoa, faz-se ouvir a Banda Grupo Recreativo e Dramático 1º maio de Tires. A 26 de setembro, o Parque Quinta da Alagoa é o palco da Banda da Sociedade Musical União Paredense. As atuações acontecem sempre pelas 17h00 no âmbito da iniciativa Verão no Parque.

Casa das Histórias Paula Rego, as criações 3D que viraram quadros da pintora
“Desenhar, encenar, pintar” é uma mostra que pretende tornar visíveis os processos criativos da pintora Paula Rego, artista portuguesa internacional. Reúne naturalmente gravuras, pinturas, mas também criações tridimensionais da artista como uma figura estupenda de uma Marie Antoinette (100x130x170cm), feita de tecidos, papier maché, guache, entre outros, para a série “Os Sete Pecados Mortais”. Para aguçar o apetite faça uma visita em em 3D, para depois ver ao vivo (Av. da República, 300,Cascais Tel.214826970). A visita tem o preço de €5 (€2,50 para os residentes) e está patente até dia 8 de novembro. No exterior aproveite para admirar a arquitetura dos edifícios idealizados por Souto de Moura, em betão vermelho e estrutura piramidal, para desafiar o espírito e o olhar.

Museu do Mar - Rei D. Carlos, onde perceber o mar...
Um jogo de pistas para os mais pequenos, interação com painéis multimédia, uma profusão de imagens de época, entre outros elementos, fazem deste museu (€3),
um verdadeiro local de descoberta. É dedicado ao elemento natural mais importante da história de Cascais: o mar, tendo no Rei D. Carlos um dos protagonistas, que, além de apaixonado por Cascais, foi o fundador da oceanografia em Portugal. O agora Museu do Mar (Rua Júlio Pereira de Mello, Cascais. Tel. 214815906), começou por ser o Sporting Club de Cascais, sociedade desportiva e recreativa de acesso condicionado, onde se reuniam os mais prestigiados banhistas, e que rapidamente se transformou no centro da vida social. Para além dos bailes que organizava, primou pela introdução de diversas modalidades desportivas em Portugal como o ténis, em 1882 – que D. Carlos tanto apreciava – e do futebol, no ano de 1888.

Casino Estoril expõe pintura naïf sem igual e ainda oferece música
Frutas maiores do que pessoas, cores vivas e traços que surgem aos nossos olhos como infantis, eis mais um Salão Internacional de Pintura Naïf do Casino Estoril, o mais antigo do mundo, que acontece pela 40ª vez. Até dia 15 de setembro na galeria de arte do casino, com entrada livre, 17 artistas alegram os olhos, a mente e o coração, entre os quais uma estreia, Jorge Serafim, comediante alentejano que apresenta quadros bem-humorados baseados nas ilustrações com que costuma colorir os livros da sua autoria, romances e livros infantis, recentemente editados. A programação do Casino Estoril (Av. Dr. Stanley Ho, Estoril. Tel.214 667700) é mais reduzida neste momento de pandemia, assim como a lotação, todavia, já no dia 15 de agosto, o Salão Preto e Prata reabre com um concerto de Rodrigo Leão pelas 22h00 (streaming €10; in situ desde €25) e, em setembro retoma uma programação mais intensa.

Museu da Música Portuguesa, uma festa de instrumentos
Guitarras, bandolins, gaitas-de-foles, concertinas, bombos, adufes e pandeiretas… uma festa de instrumentos, entre os quais dois exemplos curiosos, uma citara portuguesa e uma sanfona rara para conhecer no Monte Estoril, naquela que é uma casa característica da chamada “arquitetura de veraneio” de Cascais, da autoria do genial Raul Lino. À maravilhosa herança dos instrumentos populares de Giacometti junta-se o espólio do compositor Fernando Lopes Graça, dois acervos preciosos que se podem conhecer numa envolvente idílica, com mata e jardins encantadores, estatuária e recantos de descoberta. Até dia 19 de dezembro, no Museu da Música - Casa Verdades de Faria (Av. de Saboia, 1146, Monte Estoril. Tel. 214815904), pode ainda ver-se uma exposição temporária sobre a grande pianista Maria da Graça Amado da Cunha que se destacou pela defesa e divulgação da música portuguesa, extraordinária intérprete, que desde cedo despertou a atenção de figuras como José Viana da Mota, Luís de Freitas Branco, Francine Benoit e Fernando Lopes-Graça.

SMUP: “Carta Branca” para a música portuguesa, do rock à eletrónica
Improvisação e experimentalismo musicais são promessas de um ciclo musical programado por Rui Eduardo Paes, o Ciclo “Carta Branca”, sempre com uso de máscara obrigatório. Dia 15 de agosto, Miguel Feraso Cabra, inventor de instrumentos, criador de um banjo eletroacústico feito a partir de uma caixa de bolachas, apresenta um projeto a solo, Deambul. Segue-se em formato duo, Maria do Mar e Jari Marjamaki, no mesmo dia, sempre na SMUP -
Sociedade Musical União Paredense
(Rua Marquês de Pombal, 319 Parede. Tel. 214571325). A dupla explora a dicotomia entre um instrumento acústico, o violino, e o tratamento em tempo real por meio de um “laptop” dos sons originais. O Ciclo continua no dia 22 de agosto com a Twist Connect, banda suprema do rock nacional que conta, por exemplo, com Carlos “Kató” Mendes, baterista e vocalista que vem dos Wraygunn, bunnyranch e Parkinsons. Os concertos acontecem sempre às 18h00 e às 20h00 e as entradas têm o preço de €6 para o público em geral e de €4 para os sócios.

OCCO dá música no jardim para todos os públicos
A OCCO - Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras não deixa passar o verão de 2020 em branco e depois de esgotar o espetáculo “A Música das Américas” não se fica por aqui e tem já preparado um regresso em setembro em grande. Percorre vários espaços do concelho de Cascais como o Auditório da Boa Nova do Centro Paroquial do Estoril (Rua do Campo Santo, 441, Galiza, Estoril. Tel. 214678610), com marimba e viola, com Telemann e Séjourné, mas também Bartók, este último no Divertimento para Cordas. Para ver e ouvir pelas 18h00, no dia 12 de setembro (€6). No dia 19 de setembro comemoram-se os 250 anos de L. V. Beethoven no Centro Cultural de Cascais (Av. Rei Humberto II de Itália, Cascais. Tel.214 815 665) pelas 19h00 (€3). Ambos os concertos recomendados a partir dos 6 anos.

O que dizem as árvores de Cascais?
Saber que a praia do Tamariz deve o respetivo nome à árvore homónima, ou que a palmeira, planta colonial, era um símbolo de riqueza a partir dos anos 50, dá-nos uma ideia de que a cultura está por todo lado e não deve ser vivida entre quatro portas nem de forma padronizada. Comportando exemplares raros e de interesse público, as árvores de Cascais deram lugar a um guia editado pela respetiva Câmara, um belo pretexto para conhecer vários locais do concelho. A Figueira da Baía de Moreton do Parque Marechal Carmona (Praceta Domingos D’Avillez, Av. da República, Cascais) - integrado no projeto Bairro dos Museus e situado no centro histórico da vila - impressiona pela dimensão das raízes aéreas e pelo contraforte que estrangula as rivais, nunca deve ser plantada junto a edifícios. Já no Parque Palmela (Rua do Parque Palmela), o Pinheiro das Canárias, outra árvore que escasseia na natureza, também merece uma deslocação.

Casa Henrique Sommer: quem pernoitou nos hotéis históricos?
Se pretender descobrir se algum membro da sua família ficou hospedado num dos hotéis históricos em tempos idos ou quais os famosos que escolhiam Cascais para passar férias, essa informação está no arquivo da Casa Henrique Sommer (Av. da República, 132, Cascais. Tel. 214815759), que inclui as fichas de polícia da época. Na casa que foi do empresário dos cimentos, funciona o Arquivo Histórico Municipal de Cascais, com entrada gratuita, que guarda documentação preciosa, fundamental para a história do município e que pode ser disponibilizada para consulta, mediante marcação em tempo de covid-19. Pode ler, ou adquirir, uma cópia do livro “Cascais – 650 Anos” na livraria que funciona in situ ou online ou admirar o restaurado Foral Manuelino com mais de 500 anos. Até 13 de setembro não perca a exposição temporária “Viagem ao Japão” de Armando Martins Janeira (entrada gratuita), cônsul de Portugal no Japão, que escolheu viver em Cascais, e cuja viúva, Ingrid Bloser Martins, ainda reside no Estoril.

Condes de Castro Guimarães, onde viver as artes era viver a vida
O Museu Condes Castro Guimarães é dos espaços mais visitados do projeto Bairro dos Museus de Cascais, talvez pela magnífica arquitetura e localização com vista para a Casa de Santa Maria e Farol de Santa Marta, um trio emblemático da paisagem cascalense junto ao mar. Neste museu (Av. Rei Humberto II de Itália, Parque Marechal Carmona, Cascais. Tel.214815304) percebe-se como os Condes dedicavam a vida a colecionar obras de arte a usufruir de momentos de enriquecimento intelectual. Na sala da Música pode ver um órgão com 1170 tubos que o Conde encomendou a Augusto Joaquim Claro especialmente para este espaço onde se organizavam saraus musicais que se tornaram um “cartão-de-visita” do palácio. A cozinha foi convertida em biblioteca pelo Conde para receber os cerca de 2830 livros, entre os quais se destaca a obra mais emblemática e valiosa do acervo do Museu: o manuscrito iluminado Crónica de D. Afonso Henriques, de Duarte Galvão, datado de 1505, com a primeira representação conhecida da cidade de Lisboa, da autoria de António d’Ollanda. O catálogo da biblioteca pode ser consultado online ou mediante requisição prévia. A entrada no museu custa €4.

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