Em apenas 10 dias (entre 24 de abril e 3 de maio), o selo “Clean & Safe”, criado pelo Turismo de Portugal para distinguir publicamente as atividades turísticas “que asseguram o cumprimento de requisitos de higiene e limpeza para prevenção e controlo da Covid-19” foi atribuído a mais de 2000 empresas. Para os responsáveis do turismo nacional este é um sinal claro “do interesse do setor” em reforçar a “confiança de todos no destino Portugal e nos seus recursos turísticos”.
Com os restaurantes e o Alojamento Local excluídos das empresas candidatas ao selo “Clean & Safe”, o convite do Turismo de Portugal foi feito aos empreendimentos turísticos, empresas de animação turística e agências de viagem, ou seja, apenas às entidades registadas junto da Autoridade Turística Nacional.
Segundo os dados recolhidos pelo Boa Cama Boa Mesa junto do RNT – Registo Nacional de Turismo, até ao final do dia 3 de maio (domingo), 2047 empresas já tinham requerido e recebido o selo “Clean & Safe”, entre as quais 837 agentes de animação turística, 497 agências de viagens e turismo, e 713 empreendimentos turísticos, que englobam, hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, aldeamentos turísticos, turismo de habitação e turismo no espaço rural. Entre os 393 hotéis contam-se 56 unidades com a classificação de cinco estrelas. Relativamente à distribuição geográfica no território nacional, das 713 unidades de alojamento (o universo total é de 4581), as regiões do Porto e Norte, e Algarve são as que dispõem de mais selos “Clean & Safe”.
Pode consultar todas as empresas com o selo do Turismo de Portugal na página do Registo Nacional de Turismo.
“Estamos surpreendidos com a rapidez da resposta, tendo em conta que os critérios e modelo só ficaram disponíveis no dia 24 de abril à noite. Não nos podemos esquecer que, presentemente, cerca de 90% dos hotéis estão encerrados, alguns a planear a reabertura. E dessa reabertura faz parte, necessariamente, a adoção de medidas como as que o selo consagra”, confessa Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP - Associação da Hotelaria de Portugal, que espera “uma alta taxa de adesão a este selo”.Recorde-se que o selo “Clean & Safe” é gratuito, opcional e tem a validade de um ano, exigindo-se para a atribuição a “implementação nas empresas de um protocolo interno que, de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde, assegura a higienização necessária para evitar riscos de contágio e garante os procedimentos seguros para o funcionamento das atividades turísticas”. A partir da entrega desta “Declaração de Compromisso”, com requisitos específicos para cada um dos setores, o selo é atribuído de forma automática. O Turismo de Portugal, em coordenação com as entidades competentes, avisa ainda que “irá realizar auditorias aleatórias aos estabelecimentos aderentes".

“Multiplicação de selos é contraproducente”
Para além desta iniciativa do Turismo de Portugal, articulada com a Confederação do Turismo de Portugal (CTP), existem outras entidades, nomeadamente regionais, que pretendem promover certificações autónomas, como a Madeira, o Turismo do Algarve e o Turismo do Alentejo e Ribatejo. Por definir está também uma eventual certificação dos restaurantes e cafés, com a AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal a defender a “criação de um Selo Distintivo atribuído aos estabelecimentos que respeitem as boas práticas”. Este símbolo está ainda dependente das regras a anunciar esta semana pelo Governo, no âmbito de plano de reabertura faseada da economia.
Sobre a eventual criação de novos selos e proliferação de “manuais de boas práticas” que envolvam o alojamento turístico em Portugal, Cristina Siza Vieira é perentória: “A AHP, como maior e mais representativa associação hoteleira do setor, considera que só deve existir um selo nacional, atribuído pela autoridade turística nacional, neste caso o Turismo de Portugal, que garanta uniformidade de critérios e procedimentos. Consideramos, por isso, contraproducente a multiplicação de selos.”
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