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Passeio em Família: entre o Halloween e o Pão por Deus

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Divulgação

Ó tia, dá Pão-por-Deus? Se o não tem Dê-lho Deus!” ou “Ó tia, dá bolinho?”, são algumas das expressões populares ainda usadas em algumas localidades do país, no tradicional peditório que as crianças fazem, pelas casas vizinhas, na manhã do dia 1 de novembro, o Dia de Todos os Santos.

A tradição remonta ao século XV, com origem num ritual pagão do culto dos mortos. Contudo, foi um ano após o terramoto de 1755, onde morreram milhares de pessoas, que a tradição tomou proporções maiores e mais consolidadas. No dia 1 de novembro de 1756, as populações das cidades assoladas pela tragédia, muitas delas a viver em situação de grande pobreza, começaram, também por questões de necessidade, a recordar e a homenagear os seus mortos, em forma de peditório ou esmola. Adultos andavam de porta em porta e eram ofertados com pão, sopa e vinho. Rapidamente a tradição espalhou-se por todo o país e, com o passar dos anos, começou a ser realizada somente por crianças, algumas, as mais pequenas, acompanhadas de um adulto.

Apesar de cada vez mais esquecido, especialmente nos grandes centros urbanos - a tradição tende a ser substituída pelo Halloween, uma festa semelhante, mas tradicional nos países anglo-saxónicos -, há ainda localidades onde a tradição perdura de forma expressiva.

Grupos de crianças juntam-se e andam de casa em casa a pedir “pão por Deus” ou “bolinho”. Se nas grandes cidades a tradição começa a ser perdida ou é “alimentada” com doces e até dinheiro, tradicionalmente, ainda há quem a cumpra a rigor, com bolos feitos propositadamente para serem oferecidos neste dia. Antigamente eram feitos com farinha, erva doce e mel, hoje muitas pessoas já o substituem por bolo de laranja, iogurte e chocolate. Juntamente com os bolinhos é suposto dar-se frutos secos, pão e romãs.

Na zona centro do país este ritual tem ainda muitos adeptos, como é o caso de Fátima, com as crianças a percorrer as ruas com os tradicionais sacos de pano e a bater às portas, a pedir bolinho. Também Leiria, Mafra e os Açores, são alguns dos locais em que a tradição sobrevive ao passar dos anos. Contudo, a partir dos anos 80, este costume foi desaparecendo, e deu, pouco a pouco, lugar a festejos relacionados com o Halloween.
“Trick or treat”, ou “doçuras ou travessuras”, é uma variante do “Pão por Deus”, para a festa que acontece na noite de 31 de outubro, a Noite das Bruxas. Também ela numa alusão aos que já partiram, mas com origem nos países anglo-saxónicos. Os “festejos” acontecem de noite e as crianças mascaram-se para andar de porta em porta, a pedir doces.

O Halloween é um dos feriados mais antigos do mundo, que remonta ao século VII. Contudo, só no século XVII surge a designação “Hallowe’en”, uma abreviatura da palavra escocesa “All Hallows Eve”, que quer dizer “noite de todos os santos”. As fantasias, a decoração da casa com lanternas de abóboras e a simular casas abandonadas e assombradas, fazem parte da tradição.

Esta espécie de recriação do carnaval encanta as crianças e, por isso, no nosso país já existem muitas atividades que não deixam a data passar em branco. No Jardim Botânico da Ajuda, por exemplo, o Halloween assinala-se a 31 de outubro, a partir das 18h30, com uma visita onde são dadas a conhecer as plantas do jardim, usadas noutros tempos em feitiços, e de que hoje se reconhece o seu poder medicinal (desde €15).
No Museu das Crianças, no Jardim Zoológico de Lisboa, é no dia 1 de novembro que se realiza a “Festa Quase Nada Assustadora”, com uma lição sobre a história de Portugal, desfile de máscaras e lanche (€9).
Em Guimarães, o Centro de Ciência Viva promove uma oficina que recria a história de Hänsel e Gretel e onde se criam “pega-monstros” (slimes) fluorescentes (€4).

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