Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Vida

Passeio Verde: A Rota dos Barrocais e os penedos gigantes de Monsanto

  • 333

Subir ao Cabeço de Monsanto, só por si, é uma experiência. A “Aldeia Mais Portuguesa de Portugal”, título atribuído a Monsanto durante o Estado Novo, empoleira-se numa dramática e imponente elevação escarpada. Mas é quando se chega que o fenómeno ganha dimensão: penedos de granito monumentais, modelados e arredondados pela erosão e que o Homem aproveitou para erguer habitações.

Muitos outros blocos dispersam-se na montanha, deslocando-se por ação da gravidade ou ficando simplesmente expostos com a remoção do manto, à medida que o tempo passa. O Inselberg Granítico de Monsanto é um geomonumento do Geopark Naturtejo e a Pequena Rota 5, idetificada como PR5 “Rota dos Barrocais” desvenda esta espantosa manifestação natural, num percurso de 4,5 km. Começa e termina junto ao Posto de Turismo e tem duração estimada de duas horas.

Conuslte as informações na página da Câmara de Idanha-a-Nova e siga a sinalética até deixar para trás o núcleo histórico, onde vivem cerca de 70 pessoas, e pisar a terra batida. Esta via é uma alternativa mais acidentada, mas também mais emocionante, para ir ao castelo. Mas já lá vamos... A vista, progressivamente mais desafogada, alcança Penha Garcia e Penamacor e o espanto aumenta com o surgimento de blocos pedunculados e dos pares de Penedos Juntos, formados pela justaposição de rochas colossais. Passe pela abertura por baixo destas formações e continue a fotografar as seguintes, criadas pela Natureza ao longo de milhões de anos e posicionadas em curioso equilíbrio.

Singular é também a Laje das Treze Tigelas, um afloramento composto por cavidades circulares pouco profundas, que se terão formado devido à meteorização química nas zonas das covas. Há quem as associe, contudo, a um santuário ancestral e uma lenda que as associava a uma senhora da nobreza que aqui serviria sopa aos pobres – e daí serem também conhecidas como “Tigelinhas da Fidalga”.

Subsistem ruínas do povoado medieval de São Miguel, que ocupava uma área mais baixa em torno do castelo. Observe a Capela de São Miguel e a necrópole, com as aparentes sepulturas abertas nas rochas. Mais à frente, as ruínas da Capela de S. João e uma reconstrução do arco triunfal. Atualize o Instagram neste miradouro...

Entra-se no castelo templário pelas “traseiras”, onde se encontra a Porta da Traição. Vislumbre a cisterna, a Capela de Santa Maria do Castelo e caminhe pela muralha. Do ponto mais alto, a 758 metros, vê-se as casinhas da aldeia na encosta, a Barragem Marechal Carmona e uma vasta planície até Espanha.

Saia do castelo pela porta principal, desça à aldeia e atravesse a Rua do Castelo. Pode percorrer outro troço da Rota dos Barrocais seguindo a placa para a Capela de São Pedro de Vir-a-Corça. Vá descendo calmamente em território selvagem, “ziguezagueando” entre as rochas, até ao sobreiral secular e penedos gigantescos que rodeiam a capela (pode ir espreitar a Pedra Bolideira, antes disso). A contribuir para a magia deste local, há um campanário em cima de um rochedo e que forma uma “moldura” para fotografar a aldeia e a Torre de Lucano. Antes do regresso, aprecie a calma deste lugar que o imaginário popular associou a um mítico anacoreta chamado Amador...

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook e no Instagram!