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Passeio verde: Paraíso selvagem no Parque de Natureza de Noudar

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Consegue imaginar mil hectares de montado de azinho e floresta, trilhos e bosques, encimados por um castelo e contornados por duas linhas de água? O Parque de Natureza de Noudar é como uma viagem no tempo pelo território, das marcas do passado ao futuro da preservação, passando também pela agricultura típica da região, bem preservados nesta imensidão de natureza.

A paisagem está de braços abertos para acolher uma exploração profunda através dos trilhos que aqui foram sendo traçados ao longo de séculos. A zona raiana , hoje longínqua e desabitada, foi palco de lutas pelo território, mais tarde cenário de contrabando, mas também campo agrícola, de caça e de pastoreio, como atestam os vários abrigos de gado, aqui chamados de choças e malhadas - a pontuar a paisagem. Ainda muito intocada e protegida, a terra é ainda pródiga em património, tanto edificado como o cultural, aqui expresso particularmente nas muitas histórias que as gentes foram deixando no local. As tradições da região estão bem presentes e retratam várias épocas e estados, nomeadamente na agricultura, praticada ainda no Monte da Coitadinha.



Embora este seja lugar de muitas e profundas histórias, a da “coitadinha” não é uma delas: o termo significa apenas “coutada pequena”, numa alusão à qualidade desta terra para a caça. A história da Herdade da Coitadinha está ligada à da vila medieval de Noudar cujo maior símbolo é o Castelo, erguido em 1307, no reinado de D. Dinis.

Em qualquer dos pontos do Parque de Natureza de Noudar a sensação é de refúgio e isolamento, de tranquilidade e comunhão, de silêncio e a contemplação, mas também de aventura pelo território.

Comece a ‘viagem’ por um passeio que o conduz até ao castelo (aberto de terça a domingo, das 10h00 às 17h00), percorrendo os caminhos na natureza. Na entrada do parque pode solicitar gratuitamente um mapa e sugestões de percursos ou deixar-se recorrer à ajuda de um guia local (€7/pessoa) ou especialista (€16,5/pessoa). A estrada até ao Castelo de Noudar é a estrada principal e há mais 4 trilhos que podem ser percorrido a pé, de bicicleta (gratuito para hóspedes; €5/hora para visitantes) ou nas viaturas elétricas todo o terreno - NouCar - (€10/hora para hóspedes; €20/hora para visitantes).

É natural que se cruze, durante o percurso, com um dos muitos animais que fazem deste parque a sua casa, na terra ou no ar: javali, veado, lontra, texugo, geneta, raposa, lebre, coelho, fuinha, sacarrabos, ou doninha estão entre os mamíferos, enquanto pelo ar pode observar algumas de cerca de 200 espécies, como grifo, melro azul, cegonha preta, toutinegra real e picanço barreteiro.

Se preferir reviver um episódio de caça, ocupe um dos postos de vigia espalhados pelo parque e prepare uma espera seca ao javali (€7,50), munido de binóculos fornecidos pelo parque, para não perder pitada do espetáculo da natureza.

Durante o verão, de segunda a sexta, as famílias são brindadas com atividades pensadas especificamente para fazer entre pais e filhos, avós e netos: jogos na natureza, visitas às hortas, participação nos trabalhos agrícolas ou lanches aromáticos são algumas propostas (preço sob consulta).

E porque a natureza abre - e muito - o apetite, convoque a rica gastronomia regional para o passeio, encomendado um piquenique para desfrutar à sombra de uma azinheira (desde €6/pessoa).

À noite, domina o silêncio e o céu estrelado. O Parque de Natureza de Noudar (Barrancos. Tel. 285950000) integra a Reserva Dark Sky Alqueva e por isso prepare-se para um espetáculo único no céu de Noudar, ajudado pela ausência total de poluição luminosa (habitualmente pode contar com a ajuda de um telescópio, guia do céu e piquenique noturno (desde €15), mas com o aparelho avariado neste momento terá de olhar o céu à vista desarmada).

Para desfrutar da atmosfera idílica do local, recomenda-se vivamente que fique alojado no Monte da Coitadinha, integrado no Parque, que recria a arquitetura tradicional da região a que se adiciona o arejo de uma recuperação contemporânea. São duas unidades de alojamento, a Casa do Monte - dotada de seis quartos (€80/noite para um quarto duplo), e a Casa da Malta, com quatro quatros e duas camaratas (€60/noite para um quarto duplo), apoiados por um restaurante que homenageia a cozinha local. Adota o nome de Pançona - uma fonte situada nas margens do Rio Ardila, onde é usual fazer piqueniques - para apresentar confeções como a sopa de levístico, de beldroegas ou de cação; a grelhada mista de porco preto; o rosbife à Noudar, pratos de caça da época e a famosa sericaia.

Todas as atividades e refeições no restaurante Pançona estão sujeitas a reserva e marcação prévias, tanto para hóspedes como para visitantes.

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