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Festa dos Tabuleiros inunda Tomar de alegria, cor e movimento

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Paulo Ferreira

É essencialmente uma festa de cor e movimento. A população mostra a alegria pela respetiva realização através da característica ornamentação das ruas da cidade, chamadas de populares porque a maioria se encontra no chamado centro histórico da cidade, onde o bairrismo ainda vive. Centenas de pessoas despendem milhares de horas de trabalho durante mais de seis meses, a confecionar milhares de flores de papel com que vão ornamentar as ruas com os emblemáticos “tapetes de flores” de Tomar.

A ornamentação é um segredo mantido até à abertura oficial das ruas populares na quinta-feira à noite, no dia 4 de julho. O talento e o trabalho dos “decoradores” são premiados pela Comissão de Festas, que oferece placas como reconhecimento pelo empenho, força, orgulho e entusiasmo da população. Este ano serão decoradas 40 ruas populares.

Em destaque, nesta edição de 2019, está o Cortejo dos Rapazes, marcado para domingo, dia 30 de junho (10h). Esta tradição foi retomada na Festa dos Tabuleiros de 1991, consistindo numa reprodução do famoso Grande Cortejo dos Tabuleiros, à dimensão das crianças.

Maria João Morais, mordoma da Festa dos Tabuleiros, revela que “este ano, o cortejo conta com 1.610 crianças, entre os três e os dez anos, com as mais pequenas a transportarem cestinhas” em vez de tabuleiros, realizando-se à tarde a primeira edição dos Jogos Populares dos Rapazes, versão infantil desta componente tradicional do evento”.



Os Jogos Populares “dos adultos” estão marcados para dia 6 de julho (14h30). Chegaram a integrar animadas corridas de burros. No presente, “cada freguesia tem um representante em cada jogo, exceto no chinquilho, na luta de tração, que funcionam por equipa, e no corte de troncos a serrote (dois homens)”, explica a mordoma da Festa. Além destes jogos também se disputam a corrida de cântaros, subida de mastro, corrida de sacos, corrida de pipas e corte de troncos a machado.

O Grande Cortejo dos Tabuleiros é, e continua a ser, o “ponto alto” da Festa. Adquiriu tanta importância que deu o nome à mais icónica festividade dedicada ao Espírito Santo, talvez pela forma original de transportar o pão das promessas - espetado nas canas, entre papoilas e espigas -, que remonta ao século XVI.

O desfile dos Tabuleiros acontece no dia 7 de julho, pelas 16h, com a saída de 748 tabuleiros transportados à cabeça por meninas. Estão vestidas de branco, com uma fita de cor (cor predominante nas flores da cestinha ou do Tabuleiro) à cintura e à tiracolo, sogra ou rodilha, enquanto os rapazes trajam calça preta, cinta preta, barrete preto no ombro esquerdo, camisa branca e gravata habitualmente da cor da fita da menina. Percorrem mais de 5km e chegam a ter mais meio milhão de visitantes a admirá-los, assim como às colchas que pendem nas janelas das fachadas e à decoração das ruas com tapetes de flores de Tomar.

No último ato da festa, 8 de julho, pelas 10h, como forma de agradecimento a Deus, acontecem os Bodos do Espírito Santo (refeição sagrada), instituídos pela Rainha Santa Isabel, que, com a passagem dos anos, se passaram a designar Pêzas, e hoje consistem na distribuição de carne, pão e vinho a quem se inscreve ou foi indicado pelas organizações sociais.

Todas as noites haverá espetáculos de música, seja pelas 21h Nas Noites do Mouchão (Mouchão Parque) seja nas Noites do Coreto (Jardim da Várzea Pequena), pelas 22h30, mas será no fim-de-semana que o cartaz tem alguns nomes de peso. No dia 5 de julho, pelas 22h30, nas Noites do Estádio (Estádio Municipal), em que atuam Blaya e Wet Bed Gang; no dia 6 é a vez dos Quinta do Bill e os Azeitonas; dia 7 sobem ao placo FH5 e Rui Veloso, culminando no último dia, dia 8 de julho, com a fadista Ana Moura.



Para além destes momentos únicos da Festa dos Tabuleiros decorrem outros eventos culturais de 29 de junho a 8 de julho. No Centro de Estudos em Fotografia, na Casa dos Cubos, a exposição “A Festa, o saber e o gesto… De 1884 aos dias de hoje – a prática festiva em imagens”. A partir de sábado, no Convento de Cristo, será possível ver a exposição retrospetiva da obra do arquiteto Bartolomeu Costa Cabral, “Ética das Coisas” (patente até 15 de setembro), abrindo à tarde as exposição de pintura “Flores e Amores”, de Teresa d’Azevedo Coutinho, na Casa Manuel Guimarães, "Aguarelas de Tomar", de José Inácio Costa Rosa, na casa Vieira Guimarães, e “A Nossa Terra… a Nossa Festa”, do Agrupamento de Escolas Templários, na galeria do Instituto Politécnico de Tomar.

No Complexo Cultural da Levada vão ser inauguradas as exposições "No Coração da Festa", de Luís Ribeiro, Paulo Ferreira e Manuel Gil, “Retalhos dos Dias”, de João Costa Rosa, joalharia "Coleção Ordem do Templo", de Inês Costa Araújo, e “LYKEION”, dos Antigos Alunos do Liceu.

Ainda no Complexo da Levada, no Moinho da Ordem, será apresentado o livro "Sentir a Festa dos Tabuleiros… à conversa com…", dos alunos da turma E do 6.º ano, do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, abrindo, na Moagem A Portuguesa, a Mostra de Sabores e Artesanato. À noite, realiza-se, no Mouchão, o 35.º Festival Nacional de Folclore do Minjoelho (21h00), e, no Jardim da Várzea Pequena, a banda MT 80, DJ Paulino Coelho e DJ White dão início às Noites no Coreto (23h00). O cartaz de espetáculos inclui, domingo, as atuações da Orquestra de Sopros dos Templários, no cineteatro, Lara Martins e Small Big Band Canto Firme, no Mouchão, e Banda T, no Coreto.

Este artigo contou com o apoio do Turismo do Centro de Portugal