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17.56 Museu & Enoteca: Onde o passado e o futuro do Vinho do Porto se encontram

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@Pedro Kirilos

Há projetos que se idealizam durante anos. Pensam-se ao detalhe, sonham-se, conhecem avanços e recuos, e, durante o processo, evoluem e ganham novas formas e maneiras de ser. Depois, tornam-se tão marcantes que podem ser emblema de uma região, de uma cidade. Mas, nada disto passa pela cabeça de quem chega à 17.56 Enoteca, um sonho tornado realidade pela Real Companhia Velha, que na próxima quinta-feira, 30 de agosto, abre ao público no Cais de Gaia.

Apenas um grande "uau" de deslumbramento toma conta de quem acaba de subir a escada rolante e ‘aterra’ no primeiro piso onde um enorme terraço, entrecortado com os telhados das antigas caves de Vinho do Porto, dialoga profundamente com o Douro e o Porto. Em total recolhimento, íntimo e simultaneamente abrangente, apetece ocupar este espaço amplo e aqui ficar em contemplação, com um copo na mão e um petisco na outra. Só então se repara na imensidão de espaço e nos ambientes elegantes e distintos da enorme sala interior, onde cabem três restaurantes de diferentes sensibilidades, a Enoteca com mais de 500 referências vínicas e ainda uma fromagerie que alberga uma seleção de queijos principalmente portugueses mas também internacionais que, tal como o vinho, não se excluem a dar a conhecer a produção nacional, alargando a oferta a outras paragens.

In vino veritas
Nas três diferentes cozinhas e salas, que coabitam harmoniosamente no mesmo espaço amplo, há sushi e petiscos japoneses, pela mão do chefe Rui Leão, do Shiko - Tasca japonesa; carnes do mundo à moda do Reitoria e um restaurante dedicado aos peixes e mariscos, com gestão própria da Real Companhia Velha. Além da zona de lounge, conte ainda com um cigar club para apreciadores de charutos.

Apesar do enfoque dado à gastronomia, o vinho comanda as escolhas e está sempre em primeiro plano: assim atestam as mais de 500 referências, onde se incluem todas as da Real Companhia Velha e uma centena de néctares estrangeiros, numa seleção eclética e abrangente. O local quer ser um contributo da empresa à cidade que é uma das dez capitais mundiais do vinho.

Da terra ao copo
No mesmo espaço coabitam ainda duas salas de prova equipadas com as mais recentes tecnologias, que permitem fazer provas de grupo acompanhadas e comentadas por quem anda no terreno, nas quintas do Douro, como se ali estivesse também. Uma dinâmica especialmente recomendada pelo conhecimento e paixão que os engenheiros responsáveis pelas várias vinhas da Real Companhia Velha conseguem trazer a cada copo de vinho, enquadrando o terroir e as tradições desta região única, e a primeira demarcação vínica do mundo.

Quanto aos sabores, marcados pela diversidade, destacam-se as raras Zamburinas e os tradicionais Bolinhos de Bacalhau, os exóticos Tataky de Salmão, Beringela em Tempura com Molho Nasu e Sonomono de Peixe; os marinhos Montadito de Sapateira, Bivalves, Sopa Rica de Peixe e Arroz de Lavagante; as deliciosas carnes maturadas em diversos cortes e uma rigorosa selecção de queijos que acompanha na perfeição os vinhos da casa.

Museu da 1ª Demarcação
É precisamente sobre nos vários capítulos da história do Vinho do Porto, a começar na demarcação do Douro como primeira região vitivinícola o Mundo, que se concentra o Museu. Situado no piso térreo do edifício, conta, em seis capítulos, um percurso que é o da Real Companhia Velha e se confunde com o do Vinho do Porto.

A história do Douro escreve-se através das alfaias agrícolas usadas para erguer os socalcos que são símbolo da região, mas também muitos documentos centenários, entre os quais se conta o primeiro mapa da demarcação, alvarás régios, a primeira ação da companhia, obras de arte, objetos como uma burra - a arca onde se guardavam os impostos cobrados aos produtores, livros de contas e, claro, garrafas antiquíssimas de vinho do Porto. Descobrem-se singularidades de um percurso marcado por tantos socalcos como os do território que o acolhe.

A visita ao Museu engloba prova de dois vinhos e custa €15.



17.56 refere-se ao ano da instituição da Companhia Geral da Agricultura e das Vinhas do Alto Douro (Real Companhia Velha), que é a mesma data da 1ª Demarcação do Alto Douro. O novo centro de visitas da mais antiga empresa portuguesa, em atividade há 262 anos, é um espaço com 3.000 m2, divididos em dois pisos. O 17•56 Museu & Enoteca da Real Companhia Velha fica na Alameda da Rua Serpa Pinto, 44 B (também com entrada pela Avenida Ramos Pinto), no Cais de Gaia, em Vila Nova de Gaia. Tel. 222 448 500

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