Boa Mesa

Emílio Andrade: “É com grande honra e satisfação que recebo o Prémio Carreira Boa Cama Boa Mesa”

Emílio Andrade na "sua" Adega Tia Matilde, em Lisboa

Aos 100 anos, Emílio Andrade, fundador e proprietário da Adega da Tia Matilde, em Lisboa, é o vencedor ex-aequo deste ano do Prémio Carreira Boa Cama Boa Mesa.

“É com grande honra e satisfação que recebo o Prémio Carreira do Boa Cama Boa Mesa que entenderam atribuir-me, o qual muito me orgulha”, começa por congratular-se Emílio Andrade. Mais que mero fundador e proprietário da Adega da Tia Matilde, ao Bairro do Rego, em Lisboa, foi sempre – ainda é – um anfitrião irrepreensível, que conhece como poucos a arte de bem receber e recomendar os pratos da sua icónica casa com as melhores harmonizações vínicas.

“Este prémio tem tanto mais significado quando, no passado mês de abril, completei 100 anos de vida, a maior parte deles com o esforço, auxílio e dedicação da minha mulher. Juntos conseguimos transmitir às nossas filhas o gosto por esta nobre atividade e sem as quais também não seria possível chegar onde cheguei”, explica ao Boa Cama Boa Mesa, aludindo a Isabel e Matilde, as duas filhas à frente da Ti Matilde, com o pai.

Adega Tia Matilde
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Emílio Andrade não quer deixar também de prestar homenagem aos seus funcionários, afinal, quem sempre o ajudou a fazer a casa. “Realço também o papel fundamental de todos os funcionários que, ao longo dos anos, nos ajudaram a tornar mais conhecido o nome da Adega da Tia Matilde, nome e atividade que desejo possam os meus netos prosseguir, sempre com a mesma imagem de respeito e carinho para com os clientes, o que, estou certo, assim será” diz-nos.

Emílio Andrade Júnior, filho de Matilde e Emílio Andrade, nasceu em Lisboa, no Hospital de São José, no dia 2 de abril de 1921. Começou a trabalhar muito cedo para ajudar os pais na taberna que abriram em 1926 no Bairro do Rego, em Lisboa, a “Taberna do Emílio”. A mesma que, anos mais tarde, se transformou no restaurante Adega da Tia Matilde, uma das referências da gastronomia portuguesa.

A casa, que abriu em 1946 e cujo nome homenageia a mãe, continua a ser o seu local preferido para estar, depois de anos a servir de anfitrião às mais ilustres figuras do país. A mais assídua de todas foi Eusébio, o “Pantera Negra”, cuja mesa preferida continua a manter-se intacta por Emílio Andrade, um grande amigo e também um grande benfiquista. O facto de ser o sócio n.º 1 do Sport Lisboa e Benfica diz tudo.
Durante a pandemia e devido à avançada idade, as filhas optaram por resguardar o pai em casa, mas, conta-nos a filha Isabel, “não houve um dia que o pai não pedisse para ir à Adega”. E hoje, com as duas vacinas para a Covid-19 já tomadas, já está de regresso à casa de sempre.

Leia aqui a reportagem com Lurdes Graça, do restaurante Manjar do Marquês, vencedora ex-aequo deste ano do Prémio Carreira Boa Cama Boa Mesa.

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