Boa Mesa

Viagem ao reino mágico dos cogumelos em Belmonte

Todos os domingos, até 29 de novembro, é tempo de pegar no cesto e partir à caça de um dos ingredientes fetiche da estação, com a ajuda de quem os conhece bem. Depois é levá-los para a cozinha, prepará-los e, finalmente, saborear os aromas do cogumelo no aconchego do Convento de Belmonte.

Pé ante pé, de cesto na mão, seguimos pisando o tapete húmido de folhas e vegetação que se acumula entre árvores e arbustos. Em redor, a natureza veste-se dos magníficos tons quentes de outono, húmida pela manhã, revelando as noites frias da estação e pródiga em frutos da terra. Os cogumelos selvagens ou boletos, despontam neste clima, cada um escolhendo o húmus que mais lhe agrada para crescer e emergir à superfície das muitas folhas caídas. Há quase cem espécies identificadas na Serra da Esperança, nos arredores de Belmonte. E Valdir Lubave conhece-as a todas. À frente da cozinha da Pousada do Convento de Belmonte Gourmet - mesa de mérito para o guia Boa Cama Boa Mesa 2020 - há mais de uma década, o chef organiza todos os anos uma sempre muito requisitada época dedicada a este saboroso fungo. Além de ensinar a procurar, distinguir e apanhar os cogumelos, Valdir Lubave é mestre na arte de preparar e confeccionar estes ingredientes da estação e acompanha o processo passo a passo.

Todos os domingos, a partir de dia 10 de outubro e até 29 de novembro, o Workshop - Festival de Cogumelos Silvestres parte da Pousada Convento de Belmonte em direção à Serra da Esperança e regressa ao conforto do alojamento, cuja cozinha serve de sala de aula e o restaurante de sala de prova, numa dinâmica que já se tornou uma tradição nesta altura do ano. Em detalhe, o programa contempla passeio na floresta para apanha de cogumelos, guiado pelo chef Valdir Lubave, com início às 9h30 a partir do Convento de Belmonte, seguindo-se o workshop de alta cozinha e micologia para preparação dos cogumelos recolhidos. Depois, é tempo de almoço no Restaurante do Convento de Belmonte saboreando as iguarias confecionadas pelos participantes, num menu totalmente preparado à base de cogumelos.

Para participar, as inscrições devem ser feitas com uma semana de antecedência através do site da Pousada Convento de Belmonte ou do Tel. 275910300. A experiência custa €45 ou €50, quer seja ou não hóspede deste antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança.

Picasa

Se preferir apenas degustar, saiba que até ao fim de novembro o restaurante do Convento de Belmonte apresenta diariamente variadas sugestões à base de cogumelos, desde entradas, pratos principais e sobremesas.

Crepe crocantede cogumelos, cremoso de agriões e estaladiço de presunto; Sopa de perdiz, cogumelos e trufas em crosta se sementes de sésamo, nas entradas, Bacalhau confitado com brás de alheira e compota de cogumelos; Cassulet de peixes e frutos do mar com Cantharellus e migas de broa; Camarão tigre com risoto de muqueca, shimej e vegetais BIO, nos peixes; Arroz malandro de míscars silvestres e perdiz vermelha; Vitelinha de leite corada com puré de trufas pretas e creme de morchelas ou Porco preto na grelha, pimenta verde e shitake com puré de cogumelos e, nas sobremesas, Compota de abacaxi com gelado de Boletus e geleia de Vinho do Porto e Estaladiço de castanhas e Cantarellus cibarius com gelado de Abade de Priscos são os pratos desenhados para o menu do festival gastronómico dedicado ao cogumelo, servido de 15 de outubro a 30 de novembro.


Sobre o restaurante Pousada Convento de Belmonte Gourmet (Serra da Esperança, Belmonte Tel. 275910300), mesa de mérito para o guia Boa Cama Boa Mesa 2020, descreve-se: “A lareira, acesa nos dias frios, e a vista sobre a serra da Estrela e a Cova da Beira são o complemento perfeito da decoração rústica deste restaurante beirão. Já o mérito de acicatar a curiosidade dos comensais é de Valdir Lubave, o chef brasileiro que há quase uma vintena de anos permanece na cozinha do Convento de Belmonte Gourmet e mostra uma enorme devoção pelo receituário regional. A prova está na primazia atribuída aos produtos da terra, nomeadamente o cabrito e o borrego, peças fundamentais nos seus pratos. Destaque para o facto de este chef ter sido um dos primeiros a trabalhar os cogumelos selvagens com a mesma delicadeza que impera na cozinha de autor. A dedicação atribuída a tão peculiar alimento determinou a criação, há mais de uma década, de um evento anual. Este foi decisivo na ocupação da região no mapa gastronómico do país e na sua constante pesquisa sobre este ingrediente. Um bálsamo para o estômago do início ao fim. Atente ainda à carta de vinhos, outro dos pontos fortes deste espaço, situado em plena serra da Esperança.

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