Souto. O nome é comum a muitas localidades espalhadas por Portugal, mas este reduto de natureza e paisagem, em pleno Gerês, distingue-se. A terra é conhecida pela abundância de restaurantes. São quatro, numa freguesia com poucas centenas de habitantes.
A explicação é também ela comum a muitos territórios do interior do país: obrigados a “fazer-se à vida”, vários filhos da terra acabaram em grandes cozinhas de Lisboa e do Algarve. No regresso trouxeram vontade de cumprir as tradições locais, trabalhar os produtos emblemáticos da região, mas também inovar, unindo ingredientes endógenos a abordagens mais próximas do mar, num piscar de olhos à cozinha contemporânea.
Foi o caso de Vitor Simões, que após vários anos fora regressou a Souto para abrir, há 27 anos, as portas do Vaticano, primeiro como café, já com talento para os petiscos que mais tarde, quando há 15 anos se tornou restaurante, haviam de se revelar um dos fortes da casa.
Devido à proximidade da igreja local, o padre era amigo e presença habitual nas conversas e coube-lhe a sugestão do nome que acabou por ficar. Mas este é talvez o capítulo mais desconhecido na história do amigo da casa cuja história de vida chegou ao cinema.
Tal como no original Vaticano, as tradições da terra continuam bem presentes nas receitas ancestrais que se esperam sempre preservadas.
Tentações é o que não falta logo à chegada ao Vaticano. As entradas são, aliás, uma das grandes apostas do espaço, tão célebres que há quem se desloque aqui só para as degustar e nem chegue ao capítulo dos principais. Compreendemos bem. Perdemo-nos nos sabores bem alinhados da Alheira, dos enchidos e dos fumados regionais. Das Migas de broa e grelos, mas também da Salada de maçã com frango e nozes, do Figo recheado com creme de marisco; da Salada de grão com bacalhau e ovo de codorniz ou da de polvo com feijão frade; das Favas escalfadas com fumados da aldeia; das Pataniscas; da Courgete gratinada, dos Rojões da matança do porco, das Bolinhas de frango com ovo de codorniz, das Espetadinhas de frutos secos e das de Frango, pimentos padrón e salsicha fresca. E fica uma boa refeição feita.
A maioria dos produtos vem da região e muitos da horta da família, que alimenta também o Vaticano, principalmente no que respeita aos legumes, criados no ar puro da montanha.
Nas carnes, que são o forte dos pratos principais, destacam-se o Cabrito biológico da Serra do Gerês assado no forno, acompanhado de grelos salteados, batatas assadas e salteadas com castanhas e arroz de miúdos, um dos pratos emblemáticos da casa. A esta mesa também não faltam a posta e o Cozido Barrosão, aproveitando o sabor intenso de enchidos, fumados e carnes de animais criados frequentemente ao ar livre. Outro prato marcante na casa é Pernil de vitela com arroz de grelos e feijão, criado por Vitor Simões a partir das tradições locais. Neste restaurante familiar, o responsável pela cozinha é acompanhado pela esposa, especialista nas sobremesas - é de provar a Rabanada, mergulhada numa calda que a torna cremosa e saborosíssima, acompanhada de bola de gelado - dá hoje trabalho a toda a família - três filhas e respetivos maridos. Também os antepassados estão representados, já que o restaurante ocupa as antigas cortes dos animais que pertenciam aos avós.
Com cerca de 80 lugares e dois pisos, o restaurante Vaticano https://www.facebook.com/RestauranteVaticano (Lugar da Igreja, Souto, Terras de Bouro. Tel. 917884677) está aberto todos os dias entre as 12h00 e as 15h00 e entre as 19h00 e as 22h00, excepto à terça-feira, dia de descanso.
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