Boa Mesa

“Contra a agonia”, Ljubomir Stanisic e Alexandre Silva apelam à compra de vouchers para usar nos restaurantes depois da pandemia de Covid-19

Restaurantes adotam medidas criativas para combater “quebra brutal” nas reservas e na afluência

Sabemos que as pessoas estão assustadas. Sabemos que, neste momento, trabalhamos com uma quebra brutal nas reservas e que corremos o risco de, dentro de dias, ver o setor devastado, com muitos restaurantes a terem de fechar portas sem saberem em que condições se conseguirão erguer quando tudo regressar à “normalidade”. As palavras são de Ljubomir Stanisic, um dos mais mediáticos chefs de cozinha em Portugal, empresário e proprietário dos restaurantes 100 Maneiras, em Lisboa. A partir destas palavras, Ljubomir Stanisic não cruza os braços e contra a “agonia” fez esta manhã um apelo à compra de vouchers dos restaurantes para usar após o fim da pandemia de Covid-19.

Apoiem os vossos restaurantes através da compra de vouchers que poderão ser usados mais tarde, quando tudo isto for passado. No 100 Maneiras, a partir de agora e até notícia em contrário, estaremos a vender os nossos vouchers (a partir de €50) com um crédito extra de 15% sobre o valor registado”. Desta forma, o premiado chef dá o exemplo e um primeiro passo para combater as quebras nas reservas e frequências nos restaurantes. “Estamos em agonia! Mesmo tendo instaurado (ainda mais) rigorosas medidas de higiene e segurança no trabalho, sucedem-se as desmarcações, os cancelamentos. Todas as horas são críticas e, a cada hora que passa, se torna mais difícil gerir o desespero - das equipas, o nosso, do setor”, desabafa, ao mesmo tempo que explica ter já retirado da sala as mesas necessárias para dar cumprimento às novas regras anunciadas pelo Governo e que, no ponto cinco, informam que “é reduzida em um terço a lotação de estabelecimentos de restauração - de forma a haver mais espaço entre mesas, diminuindo assim o risco de contágio”.

Também Alexandre Silva, chef e proprietário do premiado restaurante LOCO, igualmente em Lisboa, começou a promover os vouchers de refeição no restaurante, de modo a minimizar a quebra inevitável de receitas. Os vouchers à disposição permitem a escolha do “Menu LOCO + Menu de Vinhos (€183) ”, ou só o “Menu LOCO (€113)”. Em qualquer dos casos, será vendido com 15% de desconto. A mesma medida estende-se ao restaurante FOGO.

Nas redes sociais, Alexandre Silva escreveu dia 12 de abril que “se me dissessem que um vírus se iria tornar em pandemia e que a economia iria colapsar, com quase toda a certeza me iria rir, a verdade é que isso está a acontecer em frente às nossas portas e dentro das nossas casas. Enfrentamos hoje o que será uma das maiores crises se não a maior, na industria de restauração (e não só). Falo com desespero, porque vamos atravessar o maior deserto de sempre e muitos não vão conseguir chegar ao fim”. Numa sentida publicação, Alexandre Silva pede ainda às “entidades competentes que coloquem em prática soluções para ajudar as empresas a ultrapassar tudo isto, porque sem trabalho as pessoas não vão poder ter qualidade de vida e dificilmente conseguiremos que o mundo volte a andar em tempo útil”.

De igual modo, no dia 12 de abril, na página do Facebook oficial de Rui Paula, o Chef do Ano 2020 do Boa Cama Boa Mesa escreveu que “nunca pensei que esta pandemia viesse afetar os nossos negócios de uma maneira tão rápida e incisiva. Todos os nossos restaurantes estão a trabalhar a 100%, reforçamos todas as regras de HACCP e cuidados no contacto aos clientes”. Mas assume ter escrito este texto “porque estou à espera que o nosso governo tome medidas claras e objetivas no que respeita à restauração, para ajudar a ultrapassar esta crise”. E deixa o aviso: “se não forem tomadas medidas drásticas e de rápida implementação, metade dos estabelecimentos hoteleiros/restauração de Portugal fechará as suas portas. As empresas necessitam de estar minimamente saudáveis aquando da implementação dessas medidas e não já na fase de prejuízo, se não a recuperação após Covid-19 será de extrema dificuldade. No nosso caso em concreto, sabemos que a quebra é já de 60% na faturação”.

Durante os últimos dias foram vários, em todo o país, os restaurantes e unidades hoteleira que por questão de proteção dos clientes e dos funcionários, decidiram encerrar indefinidamente, até que as medidas de restrição sejam canceladas, ou optaram por servir apenas em regime de take away. Ou, como refere, Ljubomir Stanisic, “para que, num futuro que esperemos que esteja para breve, possamos brindar à forma como ultrapassámos este momento decisivo, juntos. Porque é juntos que somos mais fortes”.

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