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Romance na cozinha: Restaurantes que são uma história de amor

Ana Brigida

São protagonistas de uma história de amor que se revela noutras paixões: as da cozinha e da arte de bem receber. O Boa Cama Boa Mesa selecionou 10 restaurantes comandados a dois que contam como entre os tachos e a sala se pode ser feliz para sempre. Que seja eterno enquanto durar… tal como o Dia dos Namorados que se aproxima.



Almeja
Ele domina a cozinha. Ela, a sala. João Cura e Sofia Amaral abandonaram as áreas de formação tradicional, em Farmácia, para se dedicarem a uma paixão comum: cozinhar e receber. Com cuidado e rigor em todas as frentes, revelam vontade de fazer bem neste espaço de casual fine dining, em que a sensibilidade e a coerência se estendem a todos os espaços. O menu de degustação Almeja (Rua Fernandes Tomás, 819, Porto. Tel. 222038120), com oito momentos, é uma boa montra da cozinha de João Cura. Natural de Coimbra, o regresso ao país faz-se numa dinâmica de diálogo com produtores locais, para apresentar apenas os ingredientes da época, com boa técnica e respeito pelo produto. A sala, dividida em duas zonas, onde domina o sorriso de Sofia, e o jardim, revelam o mesmo cuidado ao detalhe. Preço médio: €30



Destilaria do Ferrador
Já se conheciam, mas depois de algum tempo a estudar fora, ela em Faro e ele em Lisboa, deu-se o “click” decisivo. Onde? Num bailarico de verão na terra natal de ambos, São Luís, em Odemira. Trocaram telefones e, mensagem para cá, mensagem para lá, veio o namoro entre Ana Camacho e Miguel Patrício. Vivem juntos até hoje e transformaram a antiga oficina de trabalho do avô de Ana, o último ferrador vivo no concelho, na Destilaria do Ferrador (Largo do Mercado São Luís, São Luís, Odemira. Tel. 916225398), aproveitando o aumento do turismo na zona. Ela supervisiona os pratos e ajuda a mãe, Pilar Camacho, na confeção. Ele gere a sala e por vezes anima-a pegando na sua viola campaniça. O Destilaria do Ferrador serve típica gastronomia alentejana, recorrendo sempre que possível a produtos locais. Haverá um menu especial no jantar de São Valentim (€25), incluindo welcome drink, couvert e vinho da casa. Os pratos são “Camarão com manga e espuma de abacate”, “Aveludado de ervilhas”, “Mignon suíço (medalhão de porco preto)” em cama de migas e de cogumelos selvagens, com legumes assados, e “Tarte de lima”. Preço médio: €15


Elemento
Dois portugueses cruzaram o globo e conheceram-se do outro lado do mundo. Ricardo Dias Ferreira e Patricia Lourenço regressaram da Austrália para provar que uma cozinha contemporânea de autor pode funcionar com um combustível tão primário como o fogo. Tudo é feito com este Elemento (Rua do Almada, 51, Porto. Tel. 224928193), numa experiência envolvida pelo aconchegante aroma a lareira. Mas a viagem, tão longínqua como se habituaram a fazer Patrícia e Ricardo, é nova para o palato. Do grelhador exclusivo e do forno tradicional, movidos a diferentes tipos de lenha, alinham-se criações comprometidas com a sazonalidade dos produtos. O menu de degustação de sete momentos é especialmente aconselhado. O requinte despojado do espaço tem no balcão palco privilegiado para a cozinha delicada, equilibrada entre influências longínquas e os produtores locais. Preço médio: €40

Taberna Tintos e Petiscos
Foi na pacata aldeia de Vaiamonte, em Monforte, que tudo começou para Joaquim e Fátima Ramalho. Eram adolescentes quando se perderam de amores um pelo outro. Namoraram sete anos e casaram na flor da idade, ainda no início dos 20's. Ele já tinha um café na aldeia e o gosto de ambos pela comida levou às refeições. Iam apurando os sabores ensinados pelas mães e abriram vários restaurantes até estabilizarem nesta Taberna Tintos e Petiscos (Rua Dr. António Sardinha, 2, Vaiamonte. Tel. 96024813) com comida alentejana de conforto, como o “Rabo de boi guisado”, “Feijoada de pato” e “Sopa de cação” e a “Galinha tostada”. Joaquim é “o inventor”, tenta combinações diferentes dentro da matriz regional, mas o serviço e a confeção revezam-se. Exceção feita à doçaria, a cargo de Fátima. “Além de gostarmos de fazer comida, gostamos de comer”, comenta a cozinheira. O percurso tem sido feito em conjunto e, mesmo quando rebentou a crise financeira, deram a volta: “Nunca baixámos os braços e conseguimos sempre vencer unidos”. Para o Dia dos Namorados não há menu especial, mas a ementa deliciosa de todos os dias. Preço médio: €15


Dois Petiscos
A união de João Correia e Margarida Rosa estaria escrita nas estrelas (em duas, mas já lá vamos...). Conheceram-se no primeiro dia de trabalho de ambos no Penha Longa Resort, em Sintra. Ele entrou como cozinheiro, ela para a supervisão do housekeeping e ao fim de um ano namoravam. Algum tempo depois, candidataram-se ao Hotel Arts Barcelona, também da cadeia The Ritz-Carlton... Ficaram em Espanha dois anos, divididos entre o trabalho, Gaudí e a fervilhante cultura das tapas, e fez-se aí o pedido de casamento. Quando quiseram “constituir família”, escolheram Santarém, terra natal de João e onde abriram o Dois Petiscos (Cerca da Mecheira, 20-22, Santarém. Tel. 243095552) que celebra a partilha de petiscos à mesa. Aqui começa nova série de coincidências, muitas ligadas ao número 2: “Dois Petiscos” é uma alusão ao casal (ele chefia a cozinha, ela a sala), o número de porta é o 20-22 e o da casa onde moram também é o 22. A filha nasceu dia 2 do 11 e compraram o imóvel para onde vão mudar o restaurante no ano do seu segundo aniversário... Fale com o seu par e reserve o menu de degustação do dia de São Valentim (€30). Contém tentações como “Tacos de plumas ibéricas”, “Bao negro de polvo”, “Cachaço de bacalhau”, “O verdadeiro Bife Wellington com legumes baby e puré de alho assado” o “O melhor bolo de pêra que alguma vez provou”. Preço médio: €20

Cavalariça
Filipa Gonçalves e Bruno Caseiro conheceram-se, em 2013, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. Desde então, a paixão pela cozinha e não só é uma constante na vida de ambos. Depois de umas experiências conjuntas por cozinhas do mundo regressam, em 2017, da movida londrina, para tomar as rédeas da Cavalariça (Rua do Secador, 9, Comporta. Tel. 930451879), na Comporta, na península alentejana de Setúbal, com o terceiro sócio, Christopher Morrell. Até então conhecido como um espaço pop up, a funcionar exclusivamente no verão, a Cavalariça passa a alargar as suas temporadas. Neste momento, permanece aberto desde abril 2019 e sempre com o casal a partilhar experiências na cozinha contemporânea de conforto elaborada com produtos portugueses. A pausa impera, porém, em outubro, com a estreia do CAV, o restaurante com morada na Rua da Horta Seca, em pleno Chiado, de Lisboa, onde os dois vão seguir a mesma linha da Cavalariça na criação dos pratos para a carta. Preço médio: €35


Le Babachris
Este é um projeto tão vincadamente a dois que Bárbara e Christian o batizaram juntando o nome de ambos. Foi em Guimarães que decidiram instalr o Le Babachris (Rua Dom João I, 39, Guimarães. Tel. 964420548), num regresso à terra após vários anos a trabalhar no estrangeiro. Não falta criatividade nem bom senso à equilibrada linha que o restaurante decidiu seguir. Em pleno Minho tradicional, um pequeno espaço desenvolve uma cozinha em torno – realmente – daquilo que o mercado oferece a cada dia, refletido no menu de almoço, nas seis Inspirações do jantar ou nos arrozes, ao sábado. O chefe espanhol na cozinha e a simpática portuguesa na sala, apaixonados pela cozinha e um pelo outro, dão o mote para um espaço elegante e desafiante. Preço médio: €25



Bocados Restaurante
José António Silva e Maria Palmira Pereira ainda eram muito novos quando se cruzaram em Ponte de Lima, depois de Maria vir de Angola, de onde é natural. O namoro começou no final dos anos 70, “já na ressaca do PREC”... e o que o amor uniu, não mais separou. Casaram, foram viver juntos e, entre repastos saborosos e visitas a restaurantes, Maria aperfeiçoa os dotes culinários, inspirando-se, por exemplo, no livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, de Maria de Lourdes Modesto. O atual Bocados (Rua São Mamede de Arca, 89, Ponte de Lima. Tel. 967551743) foi o segundo restaurante que o casal abriu, readaptando um alpendre na parte de baixo da sua casa. O conceito de bar de tapas, à tarde, rapidamente foi 'absorvido' pelo do restaurante, à noite. “Quem nos deu a conhecer ao país foi o José Quitério, do Expresso”, afirma o anfitrião José António Silva. Hoje em dia, funciona ao jantar e, quando há reservas, também ao almoço com o mínimo de seis pessoas na sala. Vão ao mercado ver o que há e servem um menu de degustação, pleno de sabor e recuperando algum receituário antigo. “Limões recheados à São Valentim”, pastas italianas, queijos, anchovas e puré de morangos são surpresas para o dia 14 de fevereiro. Preço médio: €32,50



Casa da Caínha Adega Regional
Foi há nove anos que o casal Rosa e Nuno viu na pequena Casa da Caínha Adega Regional (Rua Velha, Mondim de Basto. Tel. 966769265), com apenas 34 lugares, o pretexto ideal para se manter ativo após a reforma. Ela está ao leme da cozinha, ele da sala. Introduziram alguma modernidade no espaço e na carta - que até então não existia - uma nova roupagem às velhinhas paredes de granito e um renovado olhar sobre a tradição, marcando uma nova fase na vida desta que é a mais antiga taberna da vila. A música dos anos 80 a bom som revela esta mescla desenhada a dois. Em conjunto têm feito deste espaço um poiso seguro quando o assunto é comer no centro de Mondim de Basto. Nas folgas do exigente trabalho de restauração, vão andar de mota por esse Portugal fora. Preço médio: €20


O Nobre
Entre a cozinha e a sala, entendem-se bem. Nesta casa, familiar no atendimento, liderado por António Nobre, Brilha, na cozinha, a mediática Justa Nobre. Com decoração e ambiente modernos, n'O Nobre (Avenida Sacadura Cabral, 53 B, Lisboa. Tel. 217970760) reina a tradição à mesa, principalmente ao domingo, ao almoço, quando domina o concorrido buffet de cozido à portuguesa. Nos restantes dias há sabores transmontanos que Justa faz questão de homenagear, da perdiz à perninha de cabrito assado no forno. As entradinhas, frias e quentes, desarmam qualquer um, mas na lista das preferências está a sopa de santola e o lombo de robalo à Justa. Na época devida (ou seja por estes dias), não perca o famoso butelo com casulas. Preço médio: €30

Este artigo foi originalmente publicado na edição do Expresso Diário de dia 13 de fevereiro 2020.

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