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Minho Pitoresco: Entre as serras da Peneda, do Gerês, da Cabreira e do Marão

JORGE SILVA

Diz-se que quase todos os vales e colinas desta região são cultivados como um jardim. Percebe-se, por isso, a excelência dos sabores, a genuinidade das receitas e a diversidade gastronómica desta região. Aproveitando o charme dos dias frios, em que o nevoeiro e as geadas matinais pintam a paisagem de branco, aventure-se pelo norte de Portugal e descubra a comida de conforto e a agradável companhia das gentes desta região. Nesta dezena de restaurantes, sugeridos pelo guia Boa Cama Boa Mesa, vai encontrar muitas razões para querer regressar.

Ferrugem


Renato Cunha “não segue correntes”, pelo que, mais do que mudanças radicais na carta, aposta antes em apurar os pratos desenhados, melhorar cada vez mais os seus ingredientes de base procurando os produtores certos, refinar as confeções. O cardápio oferece diversas opções. Tanto pode fazer uma viagem através dos menus de degustação, entre quatro e seis momentos, melhor montra desta cozinha de sensações, como escolher individualmente, entre os favoritos, que nunca saem da ementa, e novas experiências que, de quando em vez, se introduzem. O incontornável bacalhau com todos do restaurante Ferrugem, as recentes Sardinha e Cebola e Sopa de Peixe ou o regresso às origens do tradicional pica no chão são excelentes opções. Também no capítulo das novidades Renato Cunha interpreta, no Menu Camiliano, os pratos descritos pelo escritor, natural de Seide, localidade próxima, na obra A Brasileira de Prazins. Preço médio: €45.
Rua das Pedrinhas, 32, Portela. Tel. 252 911 700

A Carvalheira


A enorme lareira dá o mote para este espaço pleno de História, que conhece na Quinta do Eido Velho a sua segunda casa: clássico e rústico, como a cozinha apurada que aqui se pratica. Um saber de décadas, respeitador do produto, resulta em pratos como as ovas de bacalhau ou a sua salada, com broa frita, o bacalhau com broa, o cabrito e o perfil no forno, elaborados pela mão certa de Maria Teresa Gomes. Depois da refeição no restaurante A Carvalheira, bem regada pela garrafeira à vista, areje num passeio pelo amplo jardim. Preço médio: €25.
Rua do Eido Velho, 73, Fornelos. Tel. 258 742 316

A Tulha
Numa tulha armazenam-se cereais ou azeitonas antes da sua transformação em farinha e azeite. Neste caso, no casco histórico de Ponte de Lima ergue-se antes um bom refúgio para a cozinha da terra. Elegante, respeitando o traçado local, com as paredes em pedra e vigas nos tetos, o restaurante A Tulha decora-se de madeiras escuras e tons bordeaux. O peixe fresco grelhado na brasa, o bacalhau à Tulha, a posta, além do arroz de sarrabulho e dos rojões servidos ao fim de semana, são especialmente recomendados. Preço médio: €20.
Rua Formosa, 4, Ponte de Lima. Tel. 258 942 879

Costa do Vez


Tudo permanece como dantes neste guardião fiel da gastronomia regional. E ainda bem. Em duas salas, as paredes em pedra abraçam uma garrafeira farta e objetos de outros tempos, que discretamente decoram o local, bom prenúncio para o que se segue. O pão chega quentinho à mesa, logo acompanhado de várias entradas, da salada de polvo aos rissóis, dos cogumelos ao feijão-frade. Depois, no restaurante Costa do Vez é escolher entre um dos favoritos da casa, como o bacalhau à lagareiro, o cabrito e a vitela assados no forno. O serviço é conhecedor e diligente. Preço médio: €20.
Quinta de Silvares, Arcos de Valdevez. Tel. 258 516 122

Pedra Furada
Sobejamente conhecido pelo galo assado, disponível ao fim de semana ou por encomenda, este restaurante é também bom porto para outros sabores regionais. De cariz 100% tradicional, é casa de família, com receitas herdadas do tempo em que tudo acontecia a outro ritmo. Aprecie o artesanato regional e as paredes enfeitadas de prémios e fotografias e deixe-se conduzir pelas sugestões dos irmãos anfitriões. Da cozinha tradicional do restaurante Pedra Furada, feita com esmero, sugere-se a lampreia, na sua época, e a vitela assada em forno de lenha. Preço médio: €20.
Rua de Santa Leocádia, 1415, Pedra Furada. Tel. 252 951 144

Casa das Hortas
É um daqueles lugares seguros onde sabe sempre bem regressar. O ambiente, dividido por duas salas, é contemporâneo, em tons bordeaux, que replicam a tradicional cor da Cidade dos Bispos. Da cozinha, no piso térreo, chega o pão torrado com manteiga de alho. Continue com a tortilha, muito competente em textura e sabor, que é uma boa introdução à carne, como a cachena, especialidade da casa, em posta ou costeleta generosa, acompanhada de batata a murro, arroz e legumes. O bacalhau à Braga, em tiborna ou com polvo, é boa alternativa no restaurante Casa das Hortas. Preço médio: €25.
Campo das Hortas, 12, Braga. Tel. 253 685 225

Caneiro


Mais elegante desde a recente remodelação, conserva toda a sua essência na cozinha regional. Em duas salas amplas, com grandes janelas viradas à Natureza envolvente, num ambiente elegante as descontraído, oferece ainda uma esplanada com o mesmo enquadramento. Escolha uma referência da garrafeira do restaurante Caneiro, à vista, para acompanhar as batatas da aldeia, fritas em azeite, com enchidos, servidas de bifinhos de vitela, cabrito assado, bacalhau à Caneiro e polvo assado com seu arroz. Preço médio: €20.
EN 206, Arco de Baúlhe. Tel. 253 663 566

São Gião


Neste sítio elegante reina a polivalência. A qualidade é matriz comum que abrange todos os ingredientes, o espaço e o serviço. À mesa do restaurante São Gião, tanto pode saborear um peixe fresco acabado de chegar como um requintado risoto de pombo, um bacalhau tradicional ou o fumeiro, que se estende ao pato, por exemplo, sendo que a mão certeira de Pedro Nunes trabalha o que é de época e vai chegando mais fresco, numa carta que varia diariamente. Preço médio: €40.
Avenida Comendador Joaquim de Almeida Freitas, 56, Moreira de Cónegos. Tel. 253 561 853

Cantinho do Antigamente
É um local para regressar às origens. Do espaço à mesa, da paisagem à decoração, tudo remete para outros tempos, oferecendo o que se convencionou chamar “comida de conforto”, que aqui sempre foi assim. Com o Gerês como enquadramento – se possível, escolha a varanda –, no restaurante Cantinho do Antigamente não faltam cabrito, pica no chão, rojões e cozido de Terras de Bouro, todos por encomenda. Ao almoço, e sem reserva, o cardápio resume-se a pataniscas de bacalhau e posta de vitela, acompanhadas de arroz de feijão. A reserva é especialmente aconselhada. Preço médio: €20.
Lugar de Sá, 145, Covide. Tel. 253 353 195

Torres


Faz 51 anos em 2019 e não acusa a idade. O primeiro restaurante da família Torres foi este, e, tal como o negócio foi crescendo, evoluindo e criando ramificações, também a cozinha – sempre apetitosa – evoluiu. Aos clássicos de sempre, como as pataniscas e a alheira de perdiz, a que se seguem o bacalhau à Torres, o cabritinho de leite e o arroz de cabidela, no restaurante Torres acrescentam-se as costeletinhas de javali e a sazonal lampreia, em arroz ou à bordalesa, e também as papas com rojões, servidas ao domingo, depois de passarem pela mão sábia da matriarca. Preço médio: €20.
Lugar da Bouça, Ponte de São Vicente. Tel. 253 361 619

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