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O Plano Restaurante, de Vitor Adão, já está em andamento!

Era um dos mais desejados regressos do ano, o de Vitor Adão em nome próprio a uma cozinha da capital. Depois de um verão a cozinhar nos jardins do Dona Graça, uma unidade hoteleira nascida da renovação de um edifício do século XIX, na colina mais alta de Lisboa, no pitoresco Bairro da Graça, contavam-se os dias para que as portas do Plano Restaurante abrissem. Esse dia já chegou e já é possível, quase todos os dias ao jantar, provar a portugalidade de Vítor Adão neste novo restaurante.



O espaço do Plano Restaurante é aconchegante, dividido por três salas, cada uma com funções diferentes. Logo à entrada há 10 lugares junto a um balcão, segue-se outra sala com mais 20, mais perto da cozinha e dai, desce-se depois para uma espécie da sala privada, onde funciona a recheada garrafeira, com centenas de referências, e onde cabem até 14 pessoas. Tudo decorado de forma simples, com muita madeira, onde se destacam uns frascos com fermentações caseiras que fazem parte da decoração.

Mas é a comida que interessa, neste Plano Restaurante de Vitor Adão, e essa, não podia ser mais nacional. Explique-se que a intenção é fazer uma cozinha de mercado, com o que surge a cada dia, se bem que haverá uma carta, com uma dúzia de propostas, mas recomenda-se o menu de degustação (€60) a que acrescem €40 caso opte por uma harmonização com sumos, vinhos, cocktails, ou bebidas fermentadas. Não estranhe, por esta razão, que não estejam disponíveis numa próxima visita os pratos provados pela equipa do Boa Cama Boa Mesa.



A refeição feita no segundo dia em funcionamento do Plano Restaurante começou com uma cabeça de Xara com maionese de lima e talos de couve flor lacto fermentados. Seguiu-se um inacreditável e saboroso rissol de berbigão com picante Mondega, que antecedeu o pão, receita própria executado pela Gleba, com uma viciante couve flor com cominhos, butelo, azeitonas e um queijo de ovelha amanteigado do Monte da Vinha, considerado em 2019 como o melhor queijo do mundo. Seguiu-se uma cavala com berbigão e rabanete lacto fermentado, que abriu caminho para a corvina de linha com espinafres e nabiças, acompanhada de uma esmagada de batata de chaves, terra natal de Vitor Adão e que o próprio se encarrega de trazer a cada visita a casa.



Seguiu-se, no menu de degustação do Plano Restaurante uma inacreditável mão de vaca com grão e alho francês queimado, sabiamente harmonizada com um Baga da Bairrada, e que foi o melhor prato do menu. Do ponto mais alto passou-se para a parte mais doce, com uma deliciosa rabanada de pão de trigo barbela fumado, que depois foi grelhado com calda de laranja e que surge na mesa com romã, terminando a refeição com um pudim de couve-flor com dióspiro grelhado, a fazer lembrar um creme brulee, igualmente surpreendente.



Vitor Adão
é um cozinheiro de mão cheia, que apesar da juventude que aparenta, apresenta um percurso invejável. Passou pelas cozinhas do DOC e DOP, estagiou no Ocean e no Vila Joya, esteve no londrino 45 Park Lane, do chefe Wolfgang Puck e foi chefe executivo de Ljubomir Stanisic e do grupo 100 Maneiras até 2018, onde começou a dar, verdadeiramente nas vistas. Dono de um inacreditável sentido estético e de um apurado palato, tem tudo para se afirmar como um dos melhores cozinheiros desta nova geração. Aplaude-se a postura à frente dos tachos e o empenho na divulgação dos produtos e dos sabores tradicionais, de forma apelativa e entusiasmante.

O Plano Restaurante (Rua da Bela Vista à Graça, 126, Lisboa. Tel. 913170487) encerra à segunda-feira. Recomenda-se reserva antecipada.

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