Boa Mesa

Cozidos, uma arte portuguesa para saborear nos meses frios

Com mais ou menos ingredientes é um dos pratos de eleição nos dias frios que correm. Sorriam, a época do cozido à portuguesa já chegou…

Em cada região, os restaurantes servem a “sua” versão de Cozido à Portuguesa, pelo que, o mais correto seria anunciar este prato como um dos muitos cozidos de Portugal. Mas, contas feitas, quando se trata de cozido à portuguesa, não há espaço para preciosismos, nem dias mais certos do que outros para se sentar à mesa e sorrir. Ao domingo encontra-se facilmente, mas se lhe der uma vontade súbita de cozido a meio da semana ou, digamos, logo a uma segunda-feira, o dia em que é quase impossível encontrar mais de 10 restaurantes abertos na cidade, o Boa Cama Boa Mesa dá uma ajuda. A chegada dos meses frios pede pratos reconfortantes, que aconchegam o estômago e aquecem a alma, para saborear com tempo e em boa companhia.

Cantinho da Fátima
O cozido deste restaurante atrai multidões ao Bairro da Graça, em Lisboa. É servido às quartas-feiras e sábados, ao almoço. A orelha, o chispe, a carne de vaca, o entrecosto e o toucinho cozem à parte das couves, enchidos, arroz e também do nabo, cenoura e batata. Assim, adapta-se tudo ao gosto do cliente. “E não sobra nada”, garante a gerência. A meia dose, no Cantinho da Fátima, fica por €6 e dá para duas pessoas, mas quase todos preferem o menu: custa apenas €7,50 e dá direito ao prato, sopa, pão, sobremesa, bebida e café. Só abre ao almoço.
Rua da Graça, 111, Lisboa. Tel. 218878772

Tasquinha do Fumo
Durante os meses mais frios, os caminhos vão dar à Serra da Aboboreira para “aquecer” o corpo e a alma com o cozido deste restaurante típico, de paredes em granito. A salga das carnes de porco começa alguns dias antes e a cozedura acontece à lareira nas panelas de ferro, à moda antiga. A cabeça de porco, o salpicão, linguiça, moira e o presunto da Tasquinha do Fumo são fumados num novo espaço de produção, onde há também uma lojinha e sala de provas. Funciona por reserva e uma dose de cozido (para duas pessoas) custa €20.
Rua de Almofrela, Campelo, Baião. Tel. 965814339

Restaurante Casa de Souto Velho
Há 17 anos que o talento da dona Eufrásia é um elogio à comida tradicional. A “joia da casa” é, precisamente, o cozido à D. Eufrásia. Leva pé de porco, orelha, peituga, pernil, vitela, galo ou galinha, uma variedade de enchidos e hortaliças. “As únicas coisas que não são caseiras são a vitela, o sal e o arroz”, comenta a cozinheira. O preço do menu por pessoa no restaurante Casa de Souto Velho é de €30 e, além do cozido, inclui as entradas, vinho da casa, o buffet de sobremesas, café e digestivo. Importante: tem de fazer reserva!
EN 311, 12, Souto Velho, Anelhe, Chaves. Tel. 276999250

Stop do Bairro
Fica em Campolide e tem a quarta-feira repleta de comensais ávidos pelo seu Cozido à Portuguesa. Segundo Maria Rosa, a cozinheira da casa, a carne de porco, que contempla a orelha, o chispe, a cabeça, o entrecosto e os enchidos – morcela, farinheira e chouriço de sangue e de carne - são indispensáveis. O destaque vai, igualmente, para o rabo de boi, a batata normal e a doce, a cenoura, o nabo e a maçaroca, que dá um toque diferenciador ao sabor deste prato. “Os clientes do Stop do Bairro, normalmente, encomendam e vêm buscar, enquanto outros reservam mesa”, esclarece. Preço: €10.
Rua Marquês da Fronteira, 173, Lisboa. Tel. 913135649

Tony's
É, provavelmente, o mais famoso de todos os cozidos nacionais. Mesmo quem nunca foi aos Açores já viu as imagens dos enormes tachos a serem colocados debaixo da terra para, nas caldeiras naturais da Lagoa das Furnas, serem cozinhados apenas com o calor da terra. Leva entre cinco a sete horas a ficar concluído (€24 para duas pessoas) e parte do sucesso da receita reside na qualidade dos ingredientes usados. Na receita servida no restaurante Tony's, são usados repolho branco, batata branca, batata-doce, inhame, cenoura, couve verde, carnes de vaca e de porco, orelhas, chispe, entremeada, carne de frango, enchidos de morcela preta regional e chouriço típico picante. Primeiro entram as carnes na panela, depois os legumes e, no fim, uma pitada de sal grosso. Os momentos em que entra debaixo da terra e, horas depois, quando é retirado entre o vapor, fazem parte da mística deste cozido.
Largo do Teatro, 5, Furnas, ilha de São Miguel. Tel. 296584290

Restaurante Barrosã
A raça Barrosã DOP é a matéria-prima principal deste espaço aberto, desde 2015, no bairro de Alvalade, daí que faça, também, parte da composição do Cozido à Portuguesa feito pela chefe Sónia Lisboa. A proprietária do restaurante, juntamente com o marido, José Sá, é a responsável pela cozinha e, por conseguinte, a mestre na preparação e confeção deste prato que, além de ser servido à quinta-feira, passou a fazer parte, recentemente, da carta também ao sábado. À primeira carne juntam-se as partes do porco tradicionalmente adicionadas nesta receita, bem como os produtos hortícolas, sem esquecer o feijão manteiga nem o saboroso truque de cozinhar o arroz com a água do cozido. Falta, agora, reservar para não perder o lugar. Preço: €15 (para uma pessoa) €26 (para duas pessoas).
Rua Luís Augusto Palmeirim, 11D, Lisboa. Tel. 218493186

Rei dos Leitões
Leva os melhores enchidos, muitas vezes comprados a pequenos produtores da zona de Trás-os-Montes, carnes selecionadas de vaca, de porco e de frango, sem esquecer a incontornável orelha, o pé de porco e as cenouras, o nabo e as couves frescas, é tudo feito lentamente e servido com uma pequena taça de arroz feito na água do cozido e com um cremoso feijão a acompanhar. Servido de forma aprumada e sempre disponíveis para servir mais um pedaço, já é, nos dias frios, o prato mais procurado das segundas-feiras (€16), no Rei dos Leitões que, como se comprova, não é só especialista a servir leitão. No ano de 2019 foi galardoado com um Garfo de Ouro pelo Guia Boa Cama Boa Mesa.
EN 1 Av. Restauração, 17, Mealhada. Tel. 968123084

Os Courenses
Generoso, com enchidos de qualidade, nacos gulosos de carne de vaca, porco e a orelha, o nabo, as cenouras, o feijão e um arroz caldoso, o cozido à portuguesa de Os Courenses serve-se à quinta-feira e ao sábado, ao almoço. E não é um cozido qualquer, é um cozido eleito o “Sabor de Alvalade”, em 2018. Para quem queira aventurar-se sozinho uma dose custa €20, mas as meias doses, a €10, servem bem a duas pessoas.
Rua José Duro, 27, Lisboa Tel. 218473619

Olivier
Tem o dedo do conhecido chefpreneur Olivier da Costa, este cozido à Portuguesa que é servido todas as sextas-feiras, entre as 12h30 e as 15h. Chama-se Cozido à Portuguesa à Moda de Olivier (€18) e leva chouriço de sangue, farinheira, carnes de porco e de vaca, couves, cenoura e batata. O “twist” é dado com a junção de batata-doce, abóbora e uma caçarola de arroz de feijão feito com o caldo do cozido, polvilhado com pedaços de chouriço. Chega tudo à mesa em travessas, em quantidades generosas de comida que tendem a prolongar a refeição pela tarde dentro. A receita do chefe, servida no Olivier Avenida, é uma forma de homenagear a tradição e proporcionar uma viagem pelos sabores de infância.
Rua Júlio César Machado, 7, Lisboa. Tel. 213174105

Espaço Açores
Maria do Carmo Alves, a cozinheira de mão cheia desta casa, é quem trata, à sexta-feira e ao domingo, do Cozido dos Açores. A preparação é feita em camadas e é constituída por carne de vaca, de porco e de frango, inhame, batata-doce, batata normal, cenoura, couve coração, chouriço e morcela. Depois de tapada, panela é colocada, às 06h00, nas furnas instaladas na sala do restaurante, para ser cozido a vapor a 70° C. Às 13h00 está pronto a servir. Uma vez que não aceitam reservas no Espaço Açores, recomenda-se que chegue antes da hora. Preço: €12,80 (meia dose) e 17,80 (uma dose).
Largo da Boa-Hora à Ajuda, 19, Lisboa. Tel. 213640881

Este artigo foi publicado originalmente na edição do Expresso Diário de dia 5 de dezembro de 2019.

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