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Tasquinha do Fumo: Cozinhar ao lume como antigamente

A história da Tasquinha do Fumo começa há mais de cem anos - tantos que as datas se perderem na memória. Na altura, e durante muito tempo, a aldeia de era ponto de passagem para quem se dirigia, com frequência, às importantes feiras de Baião. Ainda sem carros, a viagem demorava e era, por isso, necessário e importante parar para abastecer o corpo e trocar dois dedos de conversa. A taberna dos bisavós de Isabel - atual proprietária da tasquinha - cumpria estas funções. Mas, numa altura em que não abundava comida, o reforço fazia-se com pequenos petiscos - Bacalhau na brasa, Pastelões de salpicão, Cebola salgada ou Punheta de bacalhau - e boas doses de vinho - compunham, basicamente, a ementa. O néctar, sempre abundante pelas redondezas, ou não estivéssemos próximos do Douro, servia-se em pesadas canecas de louça, ainda hoje em exposição na casa.

Bem diferente do que hoje acontece na Tasquinha do Fumo, com doses abundantes e bem recheadas de bacalhau, anho, vitela ou enchidos, naquele tempo comia-se pouco.

Outrora importante ponto de passagem, hoje Almofrela é um dos muitos pontos do país em que se nota o abandono e a passagem do tempo. São apenas 7 habitantes na aldeia a que esta tasquinha continua, felizmente, a dar vida.



Se algumas coisas mudaram com a passagem do tempo, outras mantém-se iguais. Na geração seguinte, foram os avós e depois os pais de Isabel - Maria Rosa, a mãe, hoje com 94 anos, ainda recentemente comandava a cozinha - que tomaram sempre da casa. Isabel cresceu entre potes de ferro, fogueiras e fornos a lenha, porto seguro para transformar ingredientes frescos, caseiros e locais em refeições com o sabor de genuíno do que é feito com saber e sem pressas. Hoje, reveza-se com o marido, Artur, mais dedicado à cozinha, entre o exterior, o lume e as duas salas de refeições, onde recebe com simpatia.

Os animais são criados ao ar livre, nestes contornos da Serra da Abobreira. Os legumes cuidados como se de uma horta pessoal se tratasse. O enchidos são feitos à mão, um a um, e repousam num lento fumeiro sempre aceso durante o tempo necessário até se conservarem por meses.

Hoje, esta mesa farta começa por apresentar um dos seus grandes cartões de visita: o fumeiro. Primeiro o presunto (€4), cru, que chega numa tábua acompanhado de pão quentinho (€2,5). Depois a moira (€3) e a alheira (€3), passadas pelas brasas sempre ativas da lareira. Arrisque ainda, como entrada, na cebola crua, servida inteira e temperada com sal e vinho verde tinto.

Segue-se um dos bons pratos da casa, todos sujeitos a reserva prévia, seja o cozido - no pote -, o Anho (borrego) assado no forno com batatinhas, arroz de forno e legumes (€25 a dose, para pelo menos dois) a Posta de vitela na brasa (€22); Bacalhau na brasa (€20), Arroz de cabidela (€65) e Galo assado no forno (€65) são outras apetitosas opções.

Leite creme torrado (€3,5), Pêra bêbeda (€3,5), Pão de ló (€3), ou Bolo de bolacha (€3,5) encerram a refeição. Depois, até o café é feito ao lume, servido num pote de barro preto.

Depois do almoço, pode pôr-se ao caminho e fazer o percurso sugerido pelo Caminho de Soalhães, que comea mesmo ao lado do restaurante.

Tudo, na Tasquinha do Fumo (Rua de Almofrela, Campelo, Baião. Tel. 965814339), é feito de experiência e tradição.

Mas nem por isso o respeito pelos antigos métodos significam que tem de se parar no tempo. Há, por isso, novidades fresquinhas, nascidas da mudança própria dos tempos que cria novas necessidades. Espera-se que ainda este ano abra portas uma pequena mercearia, bem recheada de produtos feitos localmente - enchidos caseiros incluídos, mas também compotas, licores e marmelada - e decorada com objetos de época, muitos resgatados à antiga vida da taberna.

Fica o conselho: Reserva com a maior antecedência possível já que os pratos exigem, na maioria das vezes, preparação prévia e, além disso, principalmente ao fim de semana, a Tasquinha enche facilmente.

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