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Rota de Boa Mesa: As nossas estrelas da cozinha tradicional

Rui Duarte Silva

Regresso às origens e às tradições, valorização dos produtos locais e sazonais, em nome da sustentabilidade, e uma cozinha de conforto e de memórias são algumas das ideias que se destacam por estes dias nas palavras do mais famosos cozinheiros do mundo. Mas, contas feitas, essa é a luta diária, há várias décadas, de muitos restaurantes de norte a sul do país, verdadeiras estrelas da cozinha tradicional, que inspiram o trabalho dos principais chefes nacionais, alguns dos quais reconhecidos na última Gala Michelin, em Sevilha. A partir da edição 2019 do Guia Boa Cama Boa Mesa, esta rota estaciona em 10 restaurantes, entre as dezenas que também mereciam destaque.

Vallécula
Este é o restaurante que todas as regiões do país gostariam de ter. Simples mas, ao mesmo tempo, elegante e requintado, é um espaço que elogia a região, o cartão-de-visita da localidade que preserva o nome dado pelos romanos e um verdadeiro tempo de bom comer. Convém fazer a ressalva de que é imperativo ir com fome ao Vallécula. Antes que se aperceba, a mesa está cheia de entradas caseiras, como um irrepreensível patê de galo, que se derrete nas finas fatias de pão caseiro, ou um escabeche de perdiz, desfiada com jeito e de tempero acertado. Depois, nos pratos principais, serve-se cozinha de tacho, genuína, com sabores fortes e intensos, como o javali, o cabrito ou o galo, digno de figurar num qualquer compêndio culinário. Preço médio: €35.
Praça Doutor José de Castro, 1, Valhelhas. Tel. 275 487 123

Cozinha da Terra
Se a tradição à mesa tem uma morada, ela fica em Paredes e tem como anfitriã Teresa Ruão. É pela cozinha, coração da casa, que se entra na sala imaculada desta Cozinha da Terra, onde nos aguarda uma mesa bem-posta e uma lareira acesa. Da horta vêm os abundantes e frescos legumes; de produtores locais ou de produção própria, os animais com que se opera uma certa magia, a partir de receitas de família, num festim de sabores. Bacalhau no pão, arroz de pato e galo na caçoila são imperdíveis. Impera a reserva. Preço médio: €35.
Largo da Herdade, 8, Louredo. Tel. 255 780 900

Fialho
Embaixador maior da gastronomia do Alentejo, o nome Fialho é incontornável em qualquer visita a Évora. Aqui encontra os melhores produtos da região, trabalhados de forma exemplar pela cozinha e acompanhados por uma garrafeira que é uma verdadeira enciclopédia dos vinhos do Alentejo. Existem muitos e bons petiscos para partilhar e principais que percorrem a tradição, sempre com um serviço de sala irrepreensível. A perdiz à Convento da Cartuxa é um dos símbolos do restaurante, que agora é liderado pela terceira geração Fialho. Preço médio: €40.
Travessa Mascarenhas, 14, Évora. Tel. 266 703 079

Casa de Pasto Chaxoila
Joelho de porca, cabrito no forno e grão com mãozinha de vaca são especialidades neste afamado espaço, aberto desde 1947. É mais de meio século, sempre com o foco na gastronomia regional e nos sabores típicos, que enriquecem as memórias. “Chaxoilar” será sinónimo de muitas coisas: de “mesa cheia”, de “velhas combinações que nunca falham” e também “levantar o copo bem alto”, afiança-se na casa... O restaurante Casa de Pasto Chaxoila serve menus do dia (à semana). Diz-se que terão nascido aqui as famosas tripas aos molhos. Preço médio: €15.
EN 2, Borbela, Vila Real. Tel. 259 322 654

Cozinha Típica Montemuro – Mezio
Localizada no cimo da serra, vale a pena fazer-se à estrada para procurar esta a Cozinha Típica Montemuro - Mezio. Mal se entra, percebe-se que não é um local onde apenas se come. Há história por toda a parte, funcionando a sala como um pequeno museu de ofícios e tradições. Esta vocação sente-se também à mesa, com destaque para o arroz de feijão com salpicão, anunciado como o melhor do mundo. Não se irá arrepender se optar pelo bacalhau de cebolada ou pelo cabrito assado, servido ao domingo. Preço médio: €20.
Largo Professora Dolores de Jesus, EN 2, Mezio. Tel. 254 689 265

O Victor
É preciso gostar muito do que se faz para, mais de 40 anos volvidos, continuar a receber com um sorriso rasgado. É assim o Sr. Vítor, que herdou este espaço dos pais e fez dele a sua casa, ainda hoje recanto de excelência para se deixar envolver pela pacatez e sabores da aldeia. O bacalhau assado, conhecido nos quatro cantos do mundo, é o emblema da casa que traz romarias a' O Vítor. O cabrito, por encomenda, e o lombo de boi são bons pratos alternativos. Termine com as sobremesas caseiras, de receita familiar, como a torta de laranja. Preço médio: €20.
São João de Rei. Tel. 253 909 100

O Manjar do Marquês
Abriu portas em 1986 e rapidamente ganhou o título de Meca do Arroz de Tomate. Servido num tacho de barro, sente-se o perfume ainda antes de chegar à mesa. Garantem que nada mudou em relação à receita original, que ainda hoje Dona Lurdes controla com saber. Com o arroz a ser estrela, o passo seguinte é escolher o acompanhamento. É neste ponto que entram os filetes de pescada e o bacalhau frito. Na ementa encontra muitos pratos do receituário tradicional, como o Manjar do Marquês, uma receita original de doce de amêndoa. Preço médio: €30.
IC2 (EN 1), Km 151, Pombal. Tel. 236 218 818

A Lúria
Fernando Antunes é o exímio anfitrião; Fátima Antunes é a alma da cozinha deste templo do património gastronómico ribatejano. Afinal, foi o premiado cabrito na brasa com migas e batata a murro que enalteceu a fama de A Lúria. Comece com as célebres cilercas (ou cilarcas) assadas. Recomendamos ainda a açorda de cherne ou o típico magusto de carnes (para duas pessoas). Junte a didática carta de vinhos, com cerca de 250 referências, e não perca a delícia de noz. Preço médio: €25.
Rua da Alegria, 34, Portela de S. Pedro de Tomar. Tel. 249 381 402

Tombalobos Restaurante Alentejano
Reaberto, nesta nova morada, a 10 de outubro de 2018, o Tombalobos continua fiel à sua génese. A prova está na entrada, onde a decoração remete para as antigas tascas alentejanas. Já nas duas salas, onde a arquitetura moçárabe foi posta a nu, saltam à vista a decoração cuidada e a iluminação, que tornam este espaço intimista e muito acolhedor. Imperativas são as já famosas pétalas de toucinho do chefe José Júlio Vintém ou a perdiz de escabeche. As bochechas de bacalhau de poejada são outro dos casos sérios desta casa, bem como a lebre com feijão branco ou a açorda de fraca no forno. No final, renda-se ao doce conventual de Portalegre. Não saia sem adquirir ou, no mínimo, explorar o Livro de Receitas do Tombalobos. Preço médio: €25.
Rua 19 de Junho, 2, Portalegre. Tel. 245906111

Restaurante Casa de Souto Velho
Há 17 anos que o talento da dona Eufrásia é um elogio à comida tradicional. A “joia da casa” é, precisamente, o cozido à D. Eufrásia. Leva pé de porco, orelha, peituga, pernil, vitela, galo ou galinha, uma variedade de enchidos e hortaliças. “As únicas coisas que não são caseiras são a vitela, o sal e o arroz”, comenta a cozinheira. O menu por pessoa, além do cozido, inclui as entradas, vinho da casa, o buffet de sobremesas, café e digestivo. Importante: Para visitar a Casa de Souto Velho tem de fazer reserva! Preço médio: €30.
EN 311, 12, Souto Velho, Anelhe, Chaves. Tel. 276999250

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