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Casa da Caínha: em Mondim de Basto manda a tradição

No casco histórico de Mondim, a noite chega cedo. Pelas ruas empedradas e vazias quando chega o frio ouvem-se os nossos próprios passos a calcorrear a rua, enquadro no interior das habitações ocorre a azáfama do jantar. A vila, lá do alto sempre abençoada pela Senhora da Graça que a todo o momento se vê iluminada, é guardiã de histórias e tradições que se perpetuam no granito.

Neste enquadramento, há um farol que anuncia a vida dentro de portas de uma casa aberta e pronta a receber. De luz acessa e porta entreaberta, acede-se a este pequeno e caraterístico espaço depois de puxar o pesado ferrolho. Lá dentro o espaço é reduzido, mas chega bem para albergar a lareira, as mesas com bancos corridos, as cebolas a servir de decoração, alegrando as fortes paredes de granito e as mensagens que, por toda a casa, anunciam que este é poiso de quem aprecia a vida, à mesa e lá fora.

A Casa da Caínha Adega Regional continua a ser poiso para locais e passantes mas há nove anos que a tradição conheceu novo rumo. A introdução de alguma modernidade no espaço e na carta - que até então não existia - a nova roupagem das velhinhas paredes de granito e um renovado olhar sobre a tradição marcam uma nova fase na vida desta que é a mais antiga taberna da vila.

O ambiente é tradicional, dominado pela pedra cinzenta e a madeira, mas os êxitos dos anos 80 que enquadram o ambiente criam uma atmosfera de fusão, que faz antever uma outra forma de olhar o que é típico.



À imagem dos proprietários, o casal Rosa e Nuno que viram nesta pequena taberna regional (tem apenas 34 lugares) o pretexto ideal para se manterem ativos após a reforma. Ela está ao leme da cozinha, ele da sala. Há nove anos que assim é. Tempo suficiente para fazer da casa um poiso seguro quando o assunto é comer no centro de Mondim de Basto. À mesa, manda a tradição, por vezes pontuada por novas abordagens. Além da carta - já lá vamos - Todos os dias há um menu de almoço diferente que apresenta como opção o peixe e a carne, além de couvert, bebida e café. Custa €5,5 sem sobremesa; €6,50 com sobremesa.



Pouco extensa, a ementa começa por aliciar com os enchidos locais - alheira (€3,5), chouriço (€3,5) ou presunto (€5), e petiscos, como pezinhos de coentrada (€3,5); moelas (€2,5) ou pataniscas (€2,5). Depois, nos principais, destaca-se naturalmente a posta regional com batata a murro e legumes da época (€18), o prato mais procurado, principalmente por quem vem de fora, mas também o polvo (€19,50) ou o bacalhau (€15) ambos à Lagareiro; o arroz de feijão com pataniscas (€9,5); o bacalhau espiritual (€13,5) e o arroz de polvo (€13). Nas carnes, para além da “rainha” posta, servem-se secretos ou lombo de porco preto (ambos a €13); churrasco misto (€18,50) e, por encomenda, cabrito assado, arroz de cabidela, e milhos ricos - um prato feito com farinha de milho e carnes variadas. Ao domingo, dia de grande movimento, há sempre vitela e cabrito assados.

Nas sobremesas o destaque vai para o “pudim maravilhoso” e o leite-creme. Todas as outras são, também, feitas na casa pela mão conhecedora de Rosa.

Porque o espaço é reduzido, aconselha-se reserva na Casa da Caínha Adega Regional (Rua Velha, Mondim de Basto. Tel. 966769265), especialmente ao fim-de-semana.

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