Boa Cama, Boa Mesa

Siga-nos

Perfil

Perfil

Boa Mesa

Casa Cid: uma tasca mártir no Cais do Sodré?

  • 333

Qual é afinal o interesse da Casa Cid, a taberna do Cais do Sodré de que tanto se fala? Podemos começar por dizer que tem um carisma que salta aos olhos. Provoca aquele sentimento muito comum aos lugares com muitas vidas, como se os noctívagos, que vinham do Bairro Alto para comer ali a desoras, a luxúria das prostitutas de outras épocas ou mesmo a dureza dos vendedores, que descarregavam mercadorias da antiga Ribeira, ali ao lado, conferissem uma certa aura especial a este restaurante. Ficamos com saudades de um tempo e de situações que não vivemos, um tipo de sensação contraditória, algo ao jeito de António Variações, agora também de novo na ribalta, e que o artista conseguiria certamente descrever na perfeição.

Outro ponto de interesse é o facto de se tratar de uma casa centenária. “Desde 1913 a matar a fome e a sede” é o slogan da Casa Cid, um negócio, que está na mesma família há quatro gerações, e, cuja “luta” pela permanência na mesma morada tem sido recentemente tema na Imprensa e nas redes sociais.

Há menos de dois anos, a Casa Cid (36 lugares) foi objeto de um “lifting” com a vinda de Borja Cid, de 37 anos, bisneto do fundador da Casa, Manuel Cid Nuñez. Pegou no negócio, em 2017, depois de ter andado pelo mundo e de ter tido experiência da alta cozinha. Veio para Lisboa, a pedido da mãe e da tia, para gerir o restaurante, e, como domina vários idiomas, ajuda muito com a clientela, atualmente maioritariamente turistas.

Do “lifting” fazem parte as ardósias, que se multiplicam dentro e fora da Casa Cid, com as sugestões de bebidas e pratos do dia, escritas a giz colorido, ou a seleção musical - jazz e fado -, por exemplo. Os objetos antigos ganharam nova vida e estão em destaque na decoração - um telefone com disco de rodar os números; leiteiras em alumínio; caixa de mercearias; capas de discos de vinil e fotografias a preto e branco dos fundadores e da zona da antiga Ribeira. Toda uma distração para os olhos de quem visita a taberna.

A cozinha está à vista, assim como a grelha sempre a laborar “a 200%”. A ementa inclui pratos do dia, dois de peixe e dois de carne, pelo menos. Borja Cid não tem mãos a medir no serviço às mesas. Todos aqueles que procuram comida típica, a preços acessíveis e um ambiente castiço, encontram uma alternativa válida na Casa Cid.

Para entrada há Queijo de Borba (€3,50), Enchidos do País (€3,50), Torresmos da Ribeira (€3,50), Azeitonas temperadas (€1,50) e Carapaus de escabeche (€3,50), mas também uma Tábua de queijos Castelo Branco, Serpa, Serra e uma quarta variedade (€10,50) e Sopa do dia (€1,50).

Dos pratos de peixe constam várias propostas “à Lagareiro”, entre as quais Choquinhos, Bacalhau e Polvo (desde €8,50), a que junta a um dos bestsellers, os Carapauzinhos com arroz de tomate (€8,30), e ainda as Sardinhas assadas (€8,50) e a Dourada grelhada (€8,50) e uma proposta de peixe do dia.

Para os carnívoros não podiam faltar um ex libris das tascas, as Iscas com Elas (fritas ou cozidas, a €7,50) e o Bitoque à Cid (€8,80), os Secretos de porco preto (€9,30), a Grelhada mista (€7,50), a Alheira de Mirandela (€7,50) e o Bife da Vazia “à Maneira”, ou seja, 750 gramas de carne grelhada, fatiada, acompanhada com batata frita, arroz e ovo estrelado, que garante fartura para duas pessoas (€23,50). Para sobremesa, as sugestões são a Salada de frutas, a Pera bêbeda, o Pudim da casa, a Mousse de chocolate, o Bolo de bolacha e a Tarte de amêndoa (tudo a €2,50).

A Casa Cid (Rua da Ribeira Nova, 30-32, Lisboa. Tel. 213461701) continua a comprar a matéria-prima maioritariamente no Mercado da Ribeira dando corpo ao conceito de “cozinha de mercado”. Será certamente um restaurante local, no qual convivem turistas e “alfacinhas”, com uma cozinha honesta, algo em extinção na capital. O restaurante funciona de segunda-feira a sábado, das 12h00 às 23h30.

Se não quiser que feche, a Casa Cid pode ser apoiada na sua causa neste link www.bit.ly/casacid. Espreite e diga de sua justiça...

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook e no Instagram!