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Uva by Cálem: António Vieira assina cozinha tradicional portuguesa nas margens do Douro

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Quem conhece a cozinha de António Vieira, criativa, inovadora, internacional, que fez fãs no saudoso Xis e mais recentemente no seu Wish Restaurant & Sushi, na Foz, vai surpreender-se com a abordagem tradicional do novo projeto que o chefe abriu no Cais de Gaia, mesmo na margem do Douro.
Mantém-se o charme de um espaço requintado, a qualidade e variedade das propostas e o serviço cuidado, mas toda a matriz difere. No recente Uva, by Cálem, de portas abertas desde junho, o chefe regressa as origens numa carta totalmente baseada na cozinha tradicional da região.


Justifica-se o caminho pela localização, que apela a um público essencialmente estrangeiro, mas também, sublinha o chefe, pela escassez de uma oferta de qualidade de cozinha típica portuguesa nesta margem. Além disso, os petiscos e pratos aqui apresentados casam com os vinhos do grupo Cálem - que inclui referências como a Burmester, mas também de outros produtores, principalmente nos vinhos verdes, espumantes e champanhes - ocupando o espaço que pertence a esta marca de vinho do Porto, cujo principal centro de visitas fica mesmo em frente.
Porque “toda a gastronomia do Norte é ligada ao vinho do Porto, a ligação [à Cálem] é quase natural”, sublinha o chefe.

Quando ao espaço, herda a estrutura do antigo D. Tonho mas traz tudo de novo. Igual - e mesmo assim diferente - só a ideia de uma estrutura envidraçada em constante diálogo com o rio e a outra margem. Sem paredes, é o vidro que limita interior e exterior, e mesmo assim todas as janelas podem abrir-se para fazer fluir a corrente que vem do rio e fazer quase com que nos sintamos no exterior. A cozinha à vista, bem enquadrada, ao fundo do restaurante sobre o comprido, conjuga-se com a elegância do espaço, bem enquadrado pela paisagem da emblemática margem urbana do Douro.

Tons claros e dourados dominam a decoração com assinatura de Paulo Lobo, conferindo ao ambiente o requinte que a cozinha tradicional tão bem apresentada, merece. A carta, à medida do que o chefe António Vieira já habituou, é muito extensa, dividindo-se em entradas, pratos para partilhar, mariscos, peixe, carne, hambúrgueres, ovos, saladas e sobremesas.
Do vasto leque de opções são especialmente felizes o Presunto Para Negra laminado (€20); as Pataniscas e os bolinhos de bacalhau (€8/4 unidades e €7/ 3 unidades, respetivamente); as Tripas à moda do Porto (€8), as Amêijoas à Bolhão Pato (€20); o Bacalhau Assado com Tapenade de azeitona (€19), o Bife de atum, tagliatele de legumes (€22) e o Naco de novilho à portuguesa (€20). Leite-creme queimado e Pudim Abade de Priscos (ambos €5) encerram na mesma linha de tradição.


Para quem não abdica de uma boa esplanada, o Uva by Cálem (Avenida Diogo Leite, 344, Vila Nova de Gaia. Tel. 224948046) dispõe de uma zona relvada, praticamente em cima do rio, para onde concorrem todas as atenções nesta época de verão, seja para as mesas ou para as espreguiçadeiras, que ganham especial animação com a atuação de um DJ todas as sextas e sábados, entre as 17h00 e as 21h00.

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