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Como o Mar das Latas se transformou num “oceano de sabores”

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A dimensão reduzida do lugar havia ditado que os petiscos ali servidos fossem elaborados sobretudo à base de conservas e acompanhados por um copo de vinho (a partir de €3). Miguel Sousa, sommelier e um dos proprietários do local, diz que “eram muitas as pessoas a perguntar onde iam jantar a seguir”.

Esta foi a realidade vivida durante os cinco anos de existência da casa de petiscos. Mas tudo mudou há cerca de um ano. Conseguiram um espaço mesmo ao lado da petisqueira, e Beatriz Anjos, filha de Ana Sousa, coproprietária da petisqueira, formou-se na Escola de Hotelaria do Estoril, pronta a assumir as rédeas de uma cozinha mais substancial. Estavam reunidas as condições para conquistar outro “mar de clientes” e dar resposta aos numerosos comensais, que procuravam prolongar as refeições com doses mais generosas.

Para tirar o melhor partido destes “Mares”, o plano ideal é chegar ao final da tarde, pedir uma cerveja artesanal Ericeira Pale Ale (€3,20), feita com infusão de algas, idealizada por Miguel Sousa em conjunto com a Cerveja Oeste, acompanhada, por exemplo, pela Muxama de Atum (€12) e deixar-se ficar na casa de petiscos a admirar a vista mar até ao pôr do sol.

Quando o dia começa a dar lugar à noite é o sinal de que está na hora de passar para o novo restaurante Mar das Latas Wine & Food (42 lugares), também com vista panorâmica para o mar. No interior, um piano, com garrafas de champanhe pousadas sobre ele, um candeeiro de cristais e paredes forradas com painéis de madeira azul deixam perceber que iremos viver um tipo de experiência gastronómica diferente da petisqueira e “mergulhar em águas mais profundas”.

Estudamos a ementa, cujo primeiro capítulo é precisamente o “Para Começar ou Partilhar”. Para primeira entrada, a escolha recai num Ceviche puro, peixe fresco marinado no tradicional leite de tigre peruano (€11). Segue-se o segundo capítulo das entradas, “Para Picar e Partilhar “, do qual provamos os Spring rolls de pato (€7), Crepes crocantes com molho Tai, e as Lulas do Atlântico fritas al aioli (€6).

Aqui há Peixe” é o título para a rubrica dedicada ao peixe, na qual Beatriz Anjos surpreende pela positiva com um Caril de cherne, camarão e sapateira (€19) acompanhado por arroz basmati. Mas todas as sugestões de pescado têm um twist da chefe e merecem atenção. O polvo, por exemplo, surge na versão Tempura (€17) com arroz de tomate malandrinho e maionese de paprika fumada. O bacalhau é “Não Tradicional” (€17), o que, neste caso, significa em lascas, com puré de grão, ovo, espinafres salteados e emulsão de azeitona preta. Há ainda um Atum braseado, com arroz negro, edamame e amendoim (€16,50) e o “Pescado de madrugada, o peixe mais fresco do mundo”.

O restaurante tem uma ementa pensada para vegetarianos, denominada “O que vem da Terra”, que comporta dois pratos, nomeadamente a “Moqueca” de legumes grelhados, leite coco reduzido, lima e coentros (€15) e o Risotto da Terra, com beterraba, cogumelos, avelã e queijo Feta (€15).

Para os Amantes da Carne”, a chefe Beatriz Anjos propõe uma carne de pasto de sabor intenso, Waygu australiano 200g (€26); o Bife do lombo nacional (€19); o Acém Redondo Nacional 200g (€15); o Peito de pato corado com emulsão de laranja e pilaf de cevada (€15) e ainda a Perna de cordeiro com puré de cenoura, ensopado e agrião d’água (€17).

As sobremesas - uma área da cozinha pela qual a chefe denota um gosto especial, disponibilizando sempre uma sobremesa do dia - têm nas texturas e contrastes de sabores a grande revelação, sobretudo o Amendoim ao cubo, feito de praliné, gelado e espuma de amendoim doce e salgado (€5,50) e a Pavlova de fruta (€5).

Para acompanhar as sobremesas, Miguel Sousa, sugere o Colheita Tardia Quinta de Sant’ Ana Riesling (€8).

A garrafeira do Mar das Latas foi pensada com cuidado estético, localizando-se num espaço próprio, envidraçado e climatizado. Os vinhos das regiões de Lisboa, Alentejo, Douro, Beira Interior, Bairrada estão contemplados na lista de Miguel Sousa, que faz questão de efetuar uma seleção mais peculiar e cirúrgica, assinalada como “As Minhas Escolhas”. Estas escolhas incluem desde o Principal Grande Reserva 2011 (€180) ao Mirabillis 2015 (€140), mas também opções menos dispendiosas como o Rui Roboredo Madeira 2015 (€50) e o Roquette & Cazes 2015 (€35). Roboredo Madeira é claramente um dos produtores prediletos do sommelier, que tem na carta numerosos vinhos deste produtor da Beira Interior.

Miguel Sousa incorporou ainda uma lista generosa de garrafas Magnum na carta de vinhos do Mar das Latas, a começar nos €35 com Luas Cheia em Vinhas Velhas 2015 ou Herdade das Servas Colheita Seleccionada 2015. Existem várias opções de vinho a copo (branco e tinto, em copos de dois tamanhos, € 5 e €8; alvarinho (€5) e espumante (€6)).

Motivos não faltam para conhecer este Mar das Latas (Rua Capitão João Lopes, 24B, Ericeira. Tel. 912218423) que se tornou um “oceano de sabores”, aberto todos os dias das 16h00 às 23h45, exceto às quartas-feiras .

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