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O Caçula: Quando o menino se faz homem ou 50 anos de histórias e reinvenções

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Quem andava pelo centro do Porto na primeira década década de 2000 lembra-se bem deste pequeno restaurante, com a sua abordagem requintada a pratos simples da cozinha portuguesa e internacional. Foi dos primeiros a apresentar as mesas sem toalhas e a oferecer um menu de almoço com três opções - peixe, carne e vegetariano - com entrada, prato e sobremesa que podiam ser combinados entre si, a um preço simpático, para um restaurante tão urbano que trazia influências cosmopolitas a uma cidade que estava nesse momento a despertar.

A ‘culpa’ foi de Jorge Ribeiro que aqui cresceu, entre tachos, mesas e clientes, desde que os seus pais adquiriram o espaço nos anos 80. “Cresci enquanto via também crescer este espaço”, recorda.

Mas a história d'O Caçula começa ainda antes quando um retornado do Brasil - daí o nome - abriu portas na rua do Bonjardim oferecendo um bom leque de pratos tradicionais portugueses, num espaço simples e tradicional. Corria o ano de 1969. O Caçula faz, por isso, 50 anos, sem nunca deixar de se atualizar.

Depois da formação na escola de hotelaria do Porto, Jorge Ribeiro passou pelo Algarve e por Londres, onde bebeu influências que haviam de lhe servir para transformar a tradição preservada pelos progenitores num espaço contemporâneo. Foi assim na rua do Bonjardim, onde O Caçula se manteve até 2012, altura em que foi ‘obrigado’ a sair por culpa da expropriação levada a cabo no amplo quarteirão de Sá da Bandeira.



Mas porque “há males que vêm por bem”, o espaço prosseguiu o seu caminho noutra localização: o edifício tradicional da Praça Carlos Alberto onde se instalou em 2013 trouxe novas facetas e oportunidades ao negócio e fez diversificar o menu. Instalou-se um forno a lenha de onde saem saborosas pizzas e uma francesinha “à nossa moda” - já lá vamos - expandiu-se a carta de vinhos, muitos servidos a copo com o apoio da enomatic e cresceram as salas privadas para refeições mais intimistas e jantares de grupo. Inalterado manteve-se o menu de almoço que continua a oferecer as opções de sempre - a que atualmente se acrescenta uma pizza - e uma atmosfera de “gourmet low cost“ que agrada ao palato e à carteira. O espaço e o serviço são cuidados, a cozinha é competente e delicada e aposta nos empratamentos, oferecendo algo por vezes raro de encontrar no seu equilíbrio qualidade-preço.

Atualmente o restaurante O Caçula (Praça Carlos Alberto, 47, Porto. Tel. 222055937) desenvolve-se em quatro pisos, a que se acrescenta uma esplanada aberta todo o ano, num total de 150 lugares. A música sempre a tocar confere um ambiente relaxado tanto ao almoço como ao jantar.

Vamos aos pratos. “Aqui, cozinhamos e trabalhamos com o coração”, garante Jorge. Comecemos então pelo que mais emoções desperta: a francesinha, motivo de tantas paixões e polémicas. A que aqui se faz tem em conta apetites mais modestos. Todos os ingredientes são os mesmos - incluindo as incontornáveis salsicha e linguiça da salsicharia Leandro - mas a massa que a envolve é de pizza, o que lhe confere leveza extra, e é finalizada no forno a lenha.

Polivalente, o menu permite petiscar combinando várias entradas ou dedicar-se a pratos mais densos.

Desde o início um dos favoritos é uma entrada elaborada pelo chefe Pedro Limão para o restaurante aquando da sua instalação na praça Carlos Alberto: O chévre queimado em cama de maçã caramelizada com Porto Ruby e legumes (€7,95). Neste capítulo acrescentam-se os cogumelos portobelo gratinados com tomate e pesto (€6,95), e o carpaccio de carne com queijo de São Jorge e rúcula (€7,95), alguns dos favoritos.

A francesinha com massa de pizza, bife de novilho e ovo, em forno de lenha (€10,95) é um dos pratos com mais saída na casa. Já no que respeita às pizzas - a que vão sendo introduzidas algumas variações - ganham a calzone, a pizza de bacalhau do lombo (€14,95), de salmão fumado e mozarela fresca (€15,95) e de presunto serrano (€14,95).

Nos pratos principais o naco de alcatra com molho de mistura de cogumelos selvagens e Porto Tawny em cama de grelos, servido com polenta (€17,95) e o polvo braseado em ervas aromáticas servido com migas de legumes e azeitona (€18,95) merecem destaque.

Nas sobremesas, o pudim Abade de Priscos servido com granizado de lima e a panacotta com gelado surpresa (vale adivinhar do que será) reunem consensos.

Ao almoço, mantém-se um menu completo que inclui entrada, prato, bebida e sobremesa ou café por €7,95.

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