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Artesão Bistrô: na oficina de João Lima tudo é feito com vagar

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Quando João Lima, hoje com 29 anos, entrava na casa da avó, em Vizela, havia sempre no ar o aroma de um cozinhado a germinar, lentamente, na cozinha. A memória desses pratos apurados, feitos com o vagar próprio da dedicação, é o que inspira o chefe neste Artesão que remete, claramente, para uma cozinha que se baseia na autenticidade, mas não dispensa a criatividade. Uma gastronomia contemporânea cujas raízes remontam a processos, ingredientes e aromas de antigamente. Descomplicada e apurada, serve-se numa das mais interessantes ruas do Porto, entre o centro da cidade e a Ribeira e faz-se com tempo para ser desfrutada, também, sem pressas, desde março deste ano.

Curiosamente, o chefe tem um espaço de snack-bar em Vizela e está prestes a abrir outro em Guimarães dedicado à chamada “fast food”, com hambúrgueres, francesinhas, cachorros. Mas no Artesão Bistrô (R. de Mouzinho da Silveira 218, Porto. Tel. 910518940), o seu “espaço de dedicação pessoal”, o que se pratica é o oposto. Tudo é pensado ao detalhe, elaborado com tempo, conjugado com vagar.
Não é alheia a esta maneira de fazer a “escola” do chefe que até ao momento passou por espaços de renome como Fortaleza do Guincho e o Ritz, em Lisboa; o The Yeatman e o Pedro Lemos, no Porto.

Elogio ao artefacto
Nas duas salas, uma no piso térreo, de entrada; outra na cave, mais intimista e decorada com artefactos antigos que recordam uma oficina artesanal, o mesmo ambiente escuro, dominado pelo ferro e pelo pinho rústico das mesas - tudo desenhado à medida para este espaço, masculino e elegante, lembra uma antiga oficina onde se pratica, com vagar o apurado trabalho manual.

A ideia vem da história da própria rua, outrora maioritariamente ocupada por oficinas artesanais, remetendo também diretamente para o labor do jovem chefe. Da pequena cozinha de João Lima saem reinterpretações de pratos portugueses. A carta é pouco extensa, varia a cada época, aproveitando os ingredientes da temporada. Não há entradas nem principais, apenas pratos nesta carta desenhada para partilhar. Todos são sugestões para encher a mesa e apurar o palato.

Salmonete dos Açores pescado à linha, Polvo co pimentos piquillo e cebolinhas, Vitela Mirandesa, Cabrito transmontano sem osso, favas e cenouras são algumas das propostas, todas servidas com caldos e reduções a dar intensidade ao prato.

Nos vinhos segue-se a mesma linha artesanal, apostando numa seleção curta mas rigorosa de novidades e pequenos produtores.

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