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Boi-Cavalo: a criatividade sem limites de Hugo Brito

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Restaurante Boi-Cavalo

Susana Barroso

Impera a reserva, mas também o tempo para apreciar devidamente cada momento do menu de degustação do Boi-Cavalo, restaurante localizado no bairro de Alfama, em Lisboa, prestes a celebrar cinco anos de existência (abriu no dia 25 de abril de 2014). Na cozinha está Hugo Brito, chefe e proprietário, dono de uma criatividade sem limites num espaço pequeno descontraído, com 22 lugares, ao estilo industrial minimalista, despojado de elementos decorativos, para que o foco seja, precisamente, cada prato que vai à mesa, com a gentileza e a simpatia de quem o serve.

“A ementa muda frequentemente, de acordo com a disponibilidade dos ingredientes.” Esta frase pode ler-se na carta constituída por seis momentos (€40), a qual chega, gradualmente, aos nove. Tudo por causa da mente inquieta e da curiosidade de Hugo Brito, mas também da sua capacidade de criar sem limites, inerente à sua veia artística ou não fosse o chefe lisboeta formado em artes plásticas. “Eu acho que a criatividade é um músculo e que este músculo se exercita”, ginástica essa que é posta em prática sempre que é necessário substituir um ou dois ingredientes num prato ou quando a alteração abrange a lista, o que acontece com regularidade.

No entanto, acha a comparação da cozinha com a arte “um cliché pouco útil”. Ou seja, “a ideia de que existem clientes, e de que a qualidade da experiência destes, a sua satisfação, é a missão última dos restaurantes, parece-me, às vezes, esquecida quando se fala da cozinha como arte. Nenhum artista está realmente preocupado com este tipo de qualidade de experiência do seu público, nem aos restaurantes cabe o papel profundamente confrontante e inquiridor que a arte deve ter”, esclarece.

Talvez por isso, a cozinha arrojada do restaurante Boi-Cavalo (Rua do Vigário, 70 B. Tel. 938 752 355) seja um lugar onde a incessante descoberta de sabores inusitados é concretizada com naturalidade e encarada de forma positiva. “Apesar de a maior parte dos clientes terem uma ideia do que esperar, há muitos surpreendidos, principalmente porque a nossa abordagem é bastante idiossincrática”, explica, dando exemplos de ingredientes e de combinações de produtos, a respeito dos quais os comensais diziam não gostar ou, simplesmente, não ligavam e tão pouco pensavam que poderiam resultar em sabores singulares.

É assim como as Couves de Bruxelas, pickle de sementes de mostarda, levedura de cerveja e erva-azeda ou a Tarte de coração de boi, marmelada de laranja, espigos e kimchi. Foi assim com a Rillette de cavala e pão de feijão-frade, e a memorável Couve-flor assada em barro e bernaise a acompanhar, sem esquecer a broa de milho acabada de fazer acompanhada de queijo de cabra, marmelada e crocante de amendoim, saboreados na companhia de um música alternativa, carregada de rock’n’rol, low-rock e alternativa como o próprio restaurante o é.

A harmonização vínica cabe, apenas, a referências produzidas no país, com a sugestão de um wine pairing (€25) para o menu de degustação. “A escolha de vinhos portugueses é uma teimosia minha por, sabendo que, em Alfama, somos visitados maioritariamente por clientes estrangeiros, querer que estes tenham um vislumbre da variedade e riqueza do nosso património vínico. Para garantir que isso aconteça, não lhes dou escolha”, confessa Hugo Brito. Curta em opções, a lista de vinhos ganha pelo interesse e expectativa que gera. Incita à vontade de os conhecer ou, melhor ainda, de degustar novamente algumas das propostas apresentadas, até porque, de um modo geral, se coadunam com o estilo da cozinha deste restaurante. “Escolhemos sempre vinhos que se relacionem naturalmente com a nossa comida, vinhos naturais, com pouco álcool, com acidez e mineralidade pronunciadas”, remata.

O restaurante Boi-Cavalo está aberto de terça-feira a domingo, das 20h00 às 02h00. Reserve antes de ir.

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