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O Carniceiro: Os prazeres da carne na Baixa do Porto

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Logo à entrada do Zero Box Lodge o néon vermelho a anunciar o nome do restaurante guia-nos até ao final do corredor. Passamos pelo free room, onde através da parede de vidro se vê a “dormir” ferrado um homem que afinal é um manequim - só percebemos à saída.

A cozinha aberta para a sala de jantar, para o bar e para a biblioteca faz com que o caminho até ao O Carniceiro seja uma caixinha de surpresas - há livros escolhidos por Gonçalo M. Tavares para espreitar, um antigo cofre de dinheiro com centenas de maços de notas de brincar e cocktails coloridos e fumegantes a desfilarem pelo balcão do bar.
Chegar cedo para jantar é a única forma de conseguir lugar numa das mesas corridas do restaurante - cada uma senta, pelo menos 15 pessoas bem arrumadinhas e por isso a conversa acaba, inevitavelmente, por surgir.

A carta chega em forma de desenho ilustrado e é dali que devem vir os primeiros entreténs. Os cornetos de maturada, mostarda e cebola (€5) abrem as hostilidades e vêm acompanhados de uma garrafa de espumante sugerida para harmonizar com a refeição completa. O assunto, claro está, é a carne e foi com base nesta proteína que o chefe Hugo Dias de Castro criou uma ementa que se quer surpreendente nos petiscos e muito terra-a-terra nos pratos principais.

A carne do dia está disposta numa vitrine que separa a sala da cozinha e varia entre vários cortes de vaca e de porco (preço ao kg). Escolhe-se a peça e a quantidade (entre 200g e 400g), juntam-se os acompanhamentos, que podem ser batatas tostadas com nata azeda (€4), à brás de cogumelos e espargos (€5) ou arroz de grelos e pinhão (€3,5) e espera-se muito pouco até ter o pedido nas mãos.

Ao lado vê-se um casal de estrangeiros veganos que não percebeu o nome do restaurante e veio ao engano. Ficam aliviados quando lhes apresentam as alternativas à carne: beringela, barbecue coreano e estufado de trigo sarraceno (€10) e o caril verde de quiabos acompanhado de pão naan (€10). Ele ainda deita o olho ao rabo de boi (€20) em cozedura lenta, com puré de batata e chocolate que passa pela mesa mas acaba por se contentar com os corações de alface, amendoim e barbecue para distrair a fome.

Nas sobremesas, a escolha é limitada, provavelmente porque serão poucos os que se aventuram nos doces depois de uma refeição tão faustosa. Ainda, assim, vale a pena partilhar o magnumm de amêndoas e a espuma de Requeijão com gelado de açafrão e cardamomo.

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