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Le Babachris: O restaurante sem carta de Guimarães, onde a criatividade nunca se aborrece

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© Leonardo Vilela

Na vida, há dois tipos de ‘cozinheiros: aqueles que decidem fazer uma receita e vão colher, um a um, todos os ingredientes necessários para compor a sua ‘sinfonia’; e aqueles para quem a cozinha é uma surpresa: abrem o armário e o frigorífico, vêm o que há, e com isso inventam um prato. Christian Rullan é deste segundo tipo, um criativo que nunca se cansa de criar novas abordagens possíveis aos ingredientes que o mercado e a época oferecem. E "são tão bons os produtos” que o mercado de Guimarães, mesmo ali ao lado, oferece, garante, que não lhe falta matéria-prima de qualidade para criar.

Entre terça e sexta-feira, o Le Babachris (Rua D. João 39, Guimarães. Tel. 964 420 548) - que dispõe de uma sala no piso superior para grupos ou quando a demanda do fim de semana assim o exige - enche-se facilmente de curiosos e expectantes comensais.

O restaurante, intimista, quase a completar três anos de vida, tem apenas 25 lugares de modo a garantir que nunca falha a atenção ao detalhe nem a capacidade de corresponder.

Seja ao almoço ou ao jantar, os pratos mudam todas as semanas consoante o que o mercado oferece. Se ao meio-dia o menu (€12) - com pão, duas entradas e dois pratos à escolha entre peixe e carne e sobremesa, café e bebida à parte - varia semanalmente, consoante o que o mercado e a época do ano oferecem, à noite o espaço torna-se ainda mais "gastronómico" fazendo brilhar a cozinha do chefe Christian, numa refeição que se desdobra em quatro (€28) ou seis (€35) inspirações renovadas de 15 em 15 dias. Depois, ao sábado, ao almoço, é dia de arroz. Sempre, claro, um diferente, todas as semanas.

Aqui não se repetem receitas, ingredientes e nunca sabores. Há sempre algo novo.

Cozinha por amor
Quando Bárbara e Chris regressaram a Portugal para abrir o restaurante ainda não sabiam tudo o que iriam fazer, nem onde se iriam instalar. mas uma certeza estava já em cima da mesa: o seu restaurante seria uma surpresa e reinvenção constantes, à volta dos bons produtos frescos do mercado. Mas, o que traz um chefe espanhol, natural de Menorca, formado em cozinha em França, que passou por várias cozinhas "vanguardistas" e que foi durante vários anos chefe de um hotel de cinco estrelas em terras gaulesas e uma portuguesa natural de Fafe, emigrada em França onde trabalhava em hotelaria, a abrir um restaurante no centro de Guimarães?

O amor. Um pelo outro, pelo país, pela cozinha, pela improvisação. Um amor a que nem o nome do espaço ficou indiferente. Babachris junta o nome de cada um num mesmo conceito que ambos abraçam e esperam corresponder ao ensejo de criar “uma nova cultura gastronómica na cidade de Guimarães”.

Improvisação segura
Há algo de seguro e reconfortante mesmo na improvisação. não se faz só de surpresas esta cozinha vanguardista, mas também da segurança baseada na qualidade, no estar caloroso e num "je ne sais quoi" de expectativa. O chefe é discreto mas a sua mão segura, bem como o calor íntimo da sala contemporânea, sóbria, mas acolhedora, trazem à experiência.

Depois, os vinhos. Numa cozinha feita para surpreender, a carta de vinhos bem organizada acompanha esta dinâmica, com referências à margem dos produtores mais conhecidos, com algumas referências a copo.

E porque mesmo num espaço sem ementa se corre o risco de aborrecer a veia criativa, algumas vezes por ano, o espaço e a cozinha elevam-se a renovados momentos criativos: o evento 12 apóstolos (fique atento à página de Facebook do Le Babachris) apresenta 12 pratos, harmonizados com oito vinhos num jantar à porta fechada, que custa €150. O último, que decorreu no passado dia 19 de janeiro, contou com a presença do chefe Miguel Rocha Vieira, que até há pouco tempo liderava o premiado restaurante da Fortaleza do Guincho.

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