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Legaaal: A canábis à mesa no novo restaurante do Bairro Alto

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Vamos lá acabar com o elefante na sala: meio milhão de portugueses consome canábis regularmente. A grande maioria de forma lúdica. O número foi revelado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), após um inquérito realizado entre 2016 e 2017. Dito isto, importa perceber que esta é uma tendência que tem vindo a aumentar, sobretudo na faixa etária entre os 25 e os 44 anos.

Curiosamente, no dia em que a proposta de lei da legalização da canábis vai a debate no Parlamento (hoje, quinta-feira, dia 17 de janeiro), em Lisboa, há um novo restaurante que tem gerado grande burburinho em por levar o assunto da canábis para cima da mesa! E esta é uma ideia que dificilmente poderia ser mais literal.

O Legaaal, no Bairro Alto,está longe, longíssimo, de ter contornos de coffee shop ou sequer de se assemelhar a um espaço de fumo livre. É, acima de tudo, um restaurante descomplexado que assume a vertente óbvia de servir refeições ao mesmo tempo que se apresenta como um espaço seguro para comprar produtos derivados da canábis e que, no meio disto tudo, ainda mantém a elegância discreta de um wine bar.
Contas feitas, há três menus à disposição: o da comida, o dos produtos com Cannabidiol - CBD (um dos compostos da canábis) e o dos vinhos.

A ementa viaja entre sabores tradicionais e da gastronomia francesa e varia semanalmente de acordo com os ingredientes da estação. Por norma haverá quatro entradas, quatro pratos principais e três sobremesas para entreter. Para acompanhar, uma carta de vinhos com mais de duas centenas de referências e várias (muitas) opções a copo. E depois, a ementa de produtos com CBD, com erva para infusões ou para fumar, cosméticos e drageias.

Um pedaço de mau caminho? Talvez, mas só se considerarmos a cozinha cuidada e as doses gulosas que aqui se servem, tudo o resto aponta para um sítio agradável, de ambiente relaxado, onde apetece parar para beber um copo e ficar a admirar a mobília vintage enquanto se distrai a escolher um vinyl para pôr a tocar no gira-discos.

O que tiver fumado antes ou guardar para fumar depois fica consigo - até porque, convenhamos, os números apontam para que uma fatia generosa da população faça parte da estatística. E em abono da verdade, quem nunca?

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