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A comida regional do Florêncio, em Guimarães

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Este ano o restaurante Florêncio, em Guimarães, faz 91 anos. A memória dos primeiros dias de portas abertas faz-se ainda hoje pelas fotos dos fundadores em lugar de destaque na sala principal e também no balcão rodeado em alumínio, numa sala com pedra nas paredes, onde se acede à sala de refeição. A entrada relembra esses dias lá longe, onde o vinho era o negócio da casa e as postas de bacalhau e as febras o complemento para o verde da região servido à jarra.

Hoje, no restaurante Florêncio, os dias são mais modernos e as duas salas (uma delas para fumadores), estão decoradas com sobriedade e elegância. Contrastam com as paredes em pedra da fachada, que se mantém inalterada como que a evocar, todos os dias, as memórias de tempos difíceis que já lá vão. Aos comandos da casa está já uma terceira geração que, nem por um milímetro, se afastou da filosofia já enunciada desta casa quase secular, que é a de servir a melhor gastronomia regional, a preços módicos e sempre bem regada, preferencialmente, com vinhos produzidos na região.

A carta é, como se depreende, de forte inspiração regional. Há, para entreter, Chouriço do lavrador cozido em vinho tinto, normalmente cortesia da casa, Toucinho da barriga, Orelha, e ainda os incontornáveis Bolinhos de bacalhau e Rissóis. As Papas de sarrabulho não podiam deixar de pontificar, nem o Bacalhau frito e os Filetes de polvo, cada vez mais um símbolo da região. O fiel amigo aparece mais vezes na carta, sob a confecção de Bacalhau assado na brasa ou no forno, à Brás, à Gomes de Sá, ou à Zé do Pipo.

No que toca ao peixe pescado nas águas frias da Noruega, as Pataniscas são aprovadas com unanimidade, bem como os Filetes de polvo com arroz de feijão. Na carne, como casa minhota que não renega as origens, há a incontornável Vitela assada, o Cabrito feito da mesma maneira, em dias próprios o Cozido à Portuguesa e ainda o tão tradicional Arroz de frango pica-no-chão.

Nas críticas recebidas, o restaurante Florêncio é aplaudido pelo Bucho recheado, pelo Arroz de pato, pelos Rojões e ainda pelo Arroz de coelho malandro e pela Feijoada à Transmontana. Não se espante se algumas destas especiarias cheguem à mesa num tacho, marcado por horas seguidas no bico do fogão, até porque, esta é outras das imagens de marca da casa, a comida de conforto, perfeitamente identificável por quem tem a memória de vir à terra nas pontes e nos feriados e nas férias e de ver estes pratos servidos assim, em casa de familiares.

Convém deixar espaço para a parte da doçaria. As Rabanadas fazem parte da tradição, sendo também usual terminar a refeição com um pão-de-ló húmido, ou um Toucinho-do-céu. Recomenda-se paciência para que chegue à mesa, como se fazia em casa da avó, um leite-creme acabado de queimar. Perca-se ainda na carta de vinhos e nas centenas de garrafas expostas nos dois salões. Vai descobrir surpresas e verdadeiras preciosidades, nesta casa que, afinal de contas, foi o vinho quem iniciou a tradição e quem transformou o restaurante Florêncio num local de passagem obrigatória. E não se preocupe com o estacionar. Há dois parques, mesmo à porta, à disposição. O preço médio daa refeição é de €15.

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