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Quinta do Vallado: Partilhar as emoções do Douro

Sergio Ferreira

Quando em 2012 o arquitecto Francisco Vieira de Campos teve a seu cargo a missão de aumentar a capacidade de alojamento da Quinta do Vallado, para responder à crescente procura de alojamento nos cinco quartos da casa principal, enfrentou um desafio. Como aliar mais de 300 anos de história com um edifício contemporâneo?



O resultado foi um novo capítulo na história da Quinta do Vallado. Dois edifícios marcantes distam 300 anos entre si, e ainda assim conseguem conviver harmoniosamente. O mais antigo, de 1716, marcante pelo seu forte amarelo torrado; o novo marcado pelo xisto, pedra dominante na região, completam-se, sem nunca se confrontarem.
No primeiro vivem cinco quartos e suítes, espaçosos e clássicos, a que se acede através do jardim; no segundo dominam, em cada um dos 8 alojamentos (desde €150), tons e luz contemporânea, arquitetura arrojada e traços simples.


À semelhança dos vinhos, assumidos como a “grande missão da casa”, métodos ancestrais e novas tecnologias aliam-se num todo genuíno e coerente para dar origem a um local onde se vive a história de olhos postos no futuro.

Fotografias do Douro de grande dimensão, a preto e branco, mobiliário nórdico, paisagem envolvente e muitos recantos para desfrutar, seja no verão, preferencialmente ao ar livre, seja no inverno, com um bom livro, em frente a uma das várias lareiras, o apelo é para se deixar envolver pela atmosfera acolhedora e sóbria do espaço.

Construída em 1716, a casa-mãe pertenceu à família da mítica Dona Antónia Ferreira - a Ferreirinha - e é uma das poucas que ainda hoje permanece na propriedade dos seus descendentes. Sobranceira ao rio Corgo, no Vale do Douro, a curta distância da Régua, a sua caraterística cor ocre, em tempos comum nesta região, distingue o edifício e marca a diferença na paisagem que, quando chega o outono, quase se confunde com as folhas amarelecidas pelo tempo.

Rodeada de 70 hectares, quase na sua totalidade votados à vinha - replantada nos anos 90 com uma casta por parcela, marcando o início da produção com marca própria - convida a percorrer o vinhedo com os pés bem assentes na terra.



O Spa, a piscina exterior, apoiada, na época estival, por um bar que funciona dentro de uma barrica e rodeada de laranjeiras com mais de 300 anos, o restaurante aberto apenas para hóspedes, baseado na cozinha tradicional da região com um ‘twist’ e as visitas à adega, onde se fica a conhecer, da produção à prova, todos os passos necessários para fazer um grande vinho, são pontos extra na experiência.

Não se trata de hotelaria pura e dura mas partilhar emoções em torno do vinho”, esclarece a diretora do hotel, Cláudia Ferreira. O objetivo é, em primeiro lugar, “produzir vinhos de qualidade” e, no que respeita ao turismo “seguimos também essa filosofia”. A produção de vinho assenta na mesma dualidade entre o legado secular e as necessidades atuais: duas adegas, uma antiga e uma recente, convivem harmoniosamente destacando-se na paisagem.



A nova adega, que segue a mesma linha arquitetónica vincadamente contemporânea e dominada pelo xisto, foi “pensada desde a origem para o enoturismo, para ser visitada”. E esta é uma visita obrigatória. Oferecida diariamente aos hóspedes e aberta também ao exterior, alia história da quinta e particularidades da região do Douro com detalhes da produção e, claro, prova de vários néctares da casa.



Com o mesmo objetivo, mas de diferente matriz - mais independente e apenas para maiores de 16, o Vallado abriu em 2015 a Casa do Rio, em Foz Côa, um espaço totalmente contemporâneo que se confunde com a paisagem mais agreste do Douro Superior, voltada ao rio.

Agora é tempo de olhar ainda mais para frente, pensando no próximo passo que passa por aumentar a capacidade de alojamento da Quinta do Vallado (Vilarinho dos Freires, Peso da Régua. Tel. 254323147) com algumas casas independentes e arrojadas. Aguardamos com expectativa.

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