Boa Cama

Torel 1884: Conquistar o mundo a partir do Porto

Luís Ferraz
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A viagem começa aqui. Nesta casa revivem-se, de modo contemporâneo e atmosfera exótica, as maravilhas descobertas pelos portugueses nos quatro cantos do mundo

FOTOGALERIA: Se para os portugueses que partiam à conquista do mundo tudo era aventura, descoberta, mas também medo e incerteza, hoje este é um porto seguro sob o teto deste palacete elegantemente renovado preservando toda a sua traça original. As enormes janelas e portas, as pesadas chaves e os tetos altos permanecem imponentes como no início.

Logo à entrada, dois mundos se confrontam: o das ideias e o material, numa instalação de grandes dimensões assinada por João Pedro Rodrigues que apela à filosofia. Depois, subir devagar a escadaria que dá acesso ao edifício é como passar o cabo das bojador. A partir daí, sem medos, nada é deixado ao acaso. A arquitetura magnífica do edifício une-se a jogos de luzes e espelhos para criar uma atmosfera única que nos transporta a tempos de grande feitos e aventuras em territórios desconhecidos. O que descobrimos nesses países longínquos inspira os 12 quartos da unidade (desde €120), numa homenagem à época que espalhaou o nome, a forma de estar e a cultura portuguesas pelo mundo, trazendo para o país o exotismo do destinos longínquos.


E porque o luxo é essencialmente sinónimo de tempo e espaço, esses são elementos que não faltam ao Torel 1884 (Rua Mouzinho da Silveira, 228, Porto. Tel. 226001783): a escadaria é ampla, a luz que atravessa a clarabóia no teto é imensa e os 12 quartos, distribuídos por três pisos, cada um remetendo para um continente alcançado - África, Ásia e América -, são dedicados a um produto descoberto pelos portugueses e a partir dele constroem a sua personalidade e decoração.

As pinturas de grandes dimensões, asinadas por Jorge Curval, as banheiras no quartos, os apontamentos coloniais, tudo concorre para uma viagem que é diferente em cada aposento. Tapeçarias, sedas, pássaros, café, cana-de-açúcar, especiarias, porcelanas, chá, tabaco, madeiras, inspiram-nos.


É por isso, uma viagem, não só pelo Porto, ali tão perto da Ribeira que foi local privilegiado de intercâmbios diversos, a que começa ao transpor a porta deste recém inaugurado alojamento: uma viagem ao passado, aos vários usos do edifício, a destinos longínquos mas também ao presente: a uma portugalidade que se faz de mescla cultural há tantos séculos. Também lá cabem as novas formas de encarar a cidade e o país, sem fronteiras, que dá a conhecer a sua forma de estar a quem visita, e ainda um certo cosmopolitismo, ele próprio tão contemporâneo no Porto, que junta um português e duas austríacas, apaixonados por Portugal, no negócio da hotelaria, neste que é o segundo tomo na Invicta, depois do Torel Avangarde.

Em comum, os alojamentos partilham da extensa biblioteca instalada no terceiro piso, inundada de luz, onde diversos sofás convidam a folhear cada livro, adquirido de uma biblioteca pessoal completa, cultivando o gosto por este período da história portuguesa. Para ajudar a relaxar, sirva-se no pequeno honesty bar aqui instalado.



No Wine Bistrô Bartolomeu, situado no piso térreo, o antigo cofre do banco que aqui funcionou durante décadas guarda atualmente as maiores preciosidades: os vinhos que acompanham a comida em propostas leves, e que que podem também ser saboreados por si só, no recato da pequena garrafeira instalada nas traseiras do restaurante.

O mundo brindou os portugueses com grande descobertas que mudaram a face do país e do mundo. Oxalá o novo capítulo da história do país possa proporcionar o mesmo.

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