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Monte do Vale: Todo o encanto do prado alentejano

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O Monte do Vale, unidade de agroturismo situado na Terrugem, no concelho de Elvas, terá provavelmente mais de 100 anos. As paredes grossas e caiadas correspondem à visão idílica daquilo que eram os montes de antigamente. Isolado, num local escuro como breu, em que apenas o céu estrelado do Alentejo nos ilumina e todo o visitante, que se aproxima, é detetado a quilómetros, logo que se avista ao longe uma luz desconhecida. “Azeitona”, a cadela meiga que nos recebe, compõe o ramalhete deste cenário de um monte típico alentejano.

O “monte do Joaquim” era uma propriedade de família que Joaquim Pinto Cordeiro herdou, há cerca de 15 anos, e transformou num agroturismo de sete quartos duplos (€70) e um apartamento T2. Toda a remodelação do Monte do Vale foi feita obedecendo ao plano original da casa e os materiais escolhidos por forma a não alterar em nada a estrutura antiga do monte. Também a decoração dos quartos obedece ao estilo frugal dos montes alentejanos e tem, na maioria dos casos, a célebre cama de ferro com a cabeceira adornada com o vaso de flores ao centro, mantendo, todavia, todo o conforto.

Os 105 hectares da propriedade, povoados de azinheiras e uma pequena barragem integrada no Monte do Vale, convidam a atividades ao livre, a sair para o campo e fazer longos passeios a pé, mas também de bicicleta ou de jipe, por exemplo, sendo várias as possibilidades que Joaquim Cordeiro se predispõe a organizar para os hóspedes.

Mas existem duas experiências que se destacam no Monte do Vale. A primeiríssima é a possibilidade de conhecer a realidade de uma exploração pecuária. Joaquim, outrora bancário em Lisboa, pega com desenvoltura na pick-up e leva-nos a conhecer as 80 vacas adultas; 30 bezerros - alguns acabados de nascer - e três touros. Entre manada e azinheiras paramos para abrir as cancelas da propriedade e ficamos por ali a ouvir os códigos que os animais têm para comunicar. É autêntico, as vacas chamam literalmente os filhos bezerros para junto delas para depois seguirem rumo ao restante grupo, que está onde o prado abunda.

A segunda experiência imperdível, no monte do Joaquim, é a possibilidade de participar em workshops de cozinha, ministrados pelo Mestre Ticas, um mecânico profissional que é também um exímio cozinheiro e que ensina a confecionar, a preceito, a sopa de tomate à alentejana e o entrecosto com migas de pão, depois degustadas num convívio entre anedotas contadas à moda alentejana. Para que os workshops aconteçam é necessário, no mínimo, a inscrição de um casal (€20/ por pessoa) e, no máximo, 6 a 8 pessoas (€15/ por pessoa). Os hóspedes podem, mediante marcação, almoçar ou jantar no alojamento. O pequeno-almoço é preparado pelo Joaquim, perito em pão alentejano e ovos mexidos.

O Monte do Vale está inserido numa reserva associativa de caça. As centenas de coelhos que correm pela vida, assim que percebem que um automóvel se aproxima, traduz a frequência com que se caça por estas bandas. Apenas duas vezes por ano, um grupo de caça de Vila Boim, de seis a oito pessoas, pode caçar três coelhos cada. É possível também organizar piqueniques na propriedade. Usualmente Joaquim indica a barragem como local mais prazeroso para o fazer.

A localização estratégica do Monte do Vale (Herdade do Vale, Terrugem. Tel. 268657003) permite chegar a Badajoz em pouco mais de meia hora de carro e a Elvas em cerca de 15 minutos. Mas, Vila Boim, uma freguesia que se julga ter sido habitada já no século II a. C., assim como a Terrugem, as freguesias onde se integra o Monte do Vale, têm o charme e a tranquilidade que se procuram no Alentejo.

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