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Quinta do Chocalhinho: O regresso a uma infância feliz

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“O casario longilíneo, na brancura da cal, espreguiçando-se à procura do sul, encabeçado pela casa do lavrador de grossas paredes de xisto, ao longo da rua empedrada, marginado do lado de lá pelo casarão do formo, onde às quintas-feiras o odor do pão, amassado pelas mãos trigueiras da Luzia me induz uma sensação de prazer incontido; o meu avô sentado na pequena tábua junto aos degraus da casa, ali passando as tardes a namorar o céu…” É assim que Luís Freitas, proprietário da Quinta do Chocalhinho, junto a Odemira, descreve, num artigo escrito para a revista da antiga Fundação Odemira, a meninice passada na “casa do avô”, onde assentou arrais desde 2006 depois de correr mundo com a mulher, Margarida.

Luís Freitas faz parte de uma daquelas gerações, que teve a felicidade de contar com uma infância vivida em casa dos avós, no Alentejo, em contacto com a natureza, os animais e as lides próprias de um dia-a-dia atarefado entre o campo e a casa.

Juiz desembargador jubilado, conta que esteve em Angra do Heroísmo durante cinco anos; em Portalegre, onde o escritor José Régio foi seu professor nos últimos 5 anos do Liceu; depois formou-se na Faculdade de Direito, em Coimbra, onde conheceu Margarida, com quem casou em 1971; a seguir o serviço militar, e a mobilização para Timor durante dois anos. Regressam a Portugal e vivem em Alcobaça durante quase dez anos, seguindo depois para Macau, onde permanecem 15 anos, com um interregno de apenas dois anos. A Quinta do Chocalhinho denota reminiscências deste percurso em vários apontamentos decorativos como as Louças de Alcobaça e de Bordallo Pinheiro e o mobiliário trazido de Macau, que decora alguns dos quartos.

Mas afinal o que é que o Chocalhinho tem? Tem muita vida, tem! Pois, se é verdade que, por um lado, estas vivências trouxeram aos proprietários uma forma de estar franca e aberta que faz com que consigam imprimir cunho familiar muito caloroso a toda a estadia, por outro, o que distingue a Quinta do Chocalhinho é o facto de se tratar de um agroturismo genuíno.

A Quinta do Chocalhinho surge-nos como uma revelação porque ao chegar, está escuro como breu. Estamos no inverno, há obras a decorrer e tirando a casa principal não dá para perceber muito bem a configuração da propriedade. Recebemos as boas vindas de Luís Freitas e de dois companheiros de quatro patas, um deles acolhido recentemente, uma influência de uma das filhas do casal Freitas que é veterinária.

É na manhã seguinte que tudo se dá. Encontramos um pequeno-almoço bestial com queijos de Cuba, pão da terra, bolo acabado de fazer e doces feitos com fruta e legumes da quinta como o original laranja-courgette.

Saímos de casa de manhã e deparamo-nos com os cavalos a passear livremente pela Quinta do Chocalhinho, muito perto da casa principal, enquanto mordiscam alguma erva aqui e ali. Vemos as cabras a pastar na encosta e ouvem-se as galinhas a cacarejar enquanto Margarida conversa connosco e nos fala dos burros. Estão escondidos e é preciso chamá-los. Um assobio e umas cenouras e ei-los todos em fila rumo à cerca para vir ao nosso encontro.

De todos as animais da quinta os mais irresistíveis são, de facto, os burros, cinco ao todo, brancos e simpáticos, entre os quais estão Diogo e Felicity, o casal que já aumentou a família depois da chegada ao Chocalhinho. Durante a estadia é possível fazer um percurso com as crianças precisamente a cavalo no burro. Além de poder acompanhar o tratamento diário dos animais que é sempre um momento alto para os miúdos. Luís Freitas afirma mesmo que as crianças são muitas vezes as mais interessadas em descobrir tudo acerca do Alentejo e percorrer os trilhos na propriedade.

Através da várzea chegamos à horta onde há um pouco de tudo e que no verão está aberta a todos os hóspedes, podendo servir-se à vontade e cozinhar algo nas cinco casas (T1+1) que a unidade de turismo em espaço rural disponibiliza. A partir de abril conte também com três novos T0, com kitchenette.

A Quinta do Chocalhinho é rodeada por uma zona de serra, um relevo que abriga, onde Luís e Margarida mandaram plantar mais sobreiros como legado para os netos. É que esta quinta é um lugar de cinco gerações. Começou com o avô de Luís Freitas, ferroviário e pescador, de quem o neto ostenta orgulhosamente o mesmo nome, que a adquiriu em 1942.

O Chocalhinho está preparado para receber hospedes desde 2008 após uma remodelação do atual proprietário, que tem neste local a memória dos anos fundamentais da vida de menino e onde hoje reúne família e amigos.

A oferta de lazer conta ainda com piscina de água salgada, campo de ténis, bicicletas e possibilidade de fazer alguns trilhos pela propriedade, que também faz parte da Rota Vicentina, a rede sinalizada de percursos pedestres com mais de 400 km entre Santiago do Cacém e Sagres. Mediante pedido Margarida confeciona refeições.

Para ficar na Quinta do Chocalhinho (Bemposta, Odemira, Tel. 283327280 ou 969399293), os preços variam entre €85 e €175, em função da tipologia escolhida e consoante a época do ano. Além das casas e dos apartamentos, a quinta dispõe de 10 quartos situados na casa principal.

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