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Cabeças do Reguengo: Tradição e inovação no Alto Alentejo

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A história do turismo rural Cabeças do Reguengo começa por um dos mais proeminentes enólogos da nova geração. Rui Reguinga conta que o jornalista João Afonso foi à sua propriedade para fazer um texto para uma revista de vinhos. Do encontro resultaram duas paixões, das quais João não conseguiu mais desenvencilhar-se: a serra de S. Mamede e as vinhas velhas, que Reguinga interpretou com o seu Terrenus em homenagem a este "terroir". Ainda antes, em 1994, João Afonso passou de bailarino profissional do Ballet Gulbenkian a produtor de vinho e fez o seu primeiro vinho tinto de vinhas da família na Beira Alta (Souropires / Pinhel). Conheceu, entretanto, Dirk Niepoort, que haveria de o apoiar nos anos seguintes. Mas, foi só em 2009 que decidiu comprar a quinta de Cabeças do Reguengo com oito hectares, dos quais quatro são de vinhas velhas. A antiga casa em ruínas transformou-se em alojamento turístico, em agosto de 2014. Com a ajuda da família, particularmente da filha Inês Afonso, atual gerente do espaço, transformou a quinta numa experiência rural com um sucesso comprovado pela taxa de ocupação e pelos comentários generosos que os clientes deixam.

A casa é bonita, bem decorada e com uma simplicidade que se adequa ao espaço envolvente. O primeiro som que se ouve são os badalos das ovelhas do vizinho. que andam pela quinta de João Afonso “emprestadas” para acabarem com as ervas que estão a mais. As três suítes (desde €125, acomodam de duas a cinco pessoas) e os oito quartos (a partir de €75), a sala de jogos e as salas de estar evitam grandes convulsões ou atropelos à serenidade. A piscina, que parece fazer parte de um dos degraus do terreno, e a adega, que faz parte da construção principal, completam um espaço despretensioso e sereno, que convida à contemplação.

Inês Afonso, formada em gestão hoteleira, começou em Lisboa, mas rapidamente percebeu que ali era o seu lugar natural. Vive juntamente com os pais na quinta de Cabeças do Redondo e é em sua casa que recebe os hóspedes. E percebe-se.

Vinhos e azeite
Já este ano vão conseguir produzir azeite a partir das oliveiras da propriedade, mas é o Equinócio e o Solstício que fazem as honras à casa. Os vinhos, branco e tinto, biológicos, são o produto de anos de dedicação de João Afonso aos vinhos. Com uma produção de cerca de 6.000 garrafas, até há pouco tempo com a distribuição exclusiva a cargo do enólogo Dirk Nieport, os vinhos “são caros para connaisseurs e entendidos”, conforme descreve Rui Reguinga. São produções que se diferenciam dos restantes vinhos alentejanos, por serem mais frescos, mais minerais, com menos álcool e que se adaptam à gastronomia portuguesa. Rui Reguinga recomenda os Equinócio e Solstício do amigo e vizinho João Afonso, que descreveu como vinhos que protagonizam o carácter das vinhas velhas e da zona de Reguengo, uma área marcada pela altitude mais elevada abaixo do rio Tejo (cerca de 750 metros).

Para quem não está familiarizado com o vinho das vinhas velhas, importa perceber que o Solstício e Equinócio são, nas palavras de João, puros slow wines, “daqueles que se bebem dois ou três pares de anos após a colheita e se admiram nas décadas seguintes”. Só para se ter uma ideia da riqueza do vinho, chega referir que as castas das vinhas centenárias de branco são Alva, Assario, Arinto Cachudo, Arinto Alcobaça, Arinto Galego, Chasselas, Excelsior, Fernão Pires, Moscatel Redondo, Rabo de Ovelha, Tamarez, For¬mosa, Salsaparilha, Uva Rei, Vale Grosso. As dos tintos são “apenas” as Alicante Bouschet, Aragonez, Cinsault, Corropio, Grand Noir, Moscatel de Hamburgo, Moscatel Preto, Moreto, Periquita, Tinta Francesa, Tinta Carvalha, Tinta Grossa e Trincadeira. João Afonso ainda faz o vinho generoso (passito) Luar das Cabeças do Reguengo, o espumante Respiro e os brancos e tintos de vinhas novas Quartzo e Seiva.

Através de uma janela num dos corredores da casa principal consegue-se espreitar para a adega e o lagar, onde alguns hóspedes se podem divertir a pisar as uvas. Mesmo que a época não seja a da vindima, há uma certeza quase como uma reserva moral na quinta de Cabeças do Reguengo: o contacto privilegiado com a natureza!

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